sábado, 26 de dezembro de 2015

Chegou o dia e a felicidade também!

Amanheceu.
Acordamos cedo, hoje é o dia da 1ª ultra.
Não sei exatamente o que estou sentindo, algo bom e desesperador também.
É estranho não ter a certeza de nada.
Entrei no carro.
Fui com a cabeça encostada no banco, olhando a rua pelo vidro da janela... 
Árvores passando, ruas, casas, pessoas...
Parecia que só eu estava naquela situação no mundo inteiro.

Chegamos.
Sentamos.
Esperando...

Um senhor sentado do nosso lado começa a contar o tamanho de sua felicidade Pq a nora estava lá dentro fazendo a ultra p saber o sexo do bebê.
Sai uma menina lá de dentro chorando...
Era a nora dele.
Ele para de falar imediatamente, fica claramente confuso e vai ao encontro de sua nora que está triste e chorando. 
Eu olho para o meu marido... 
"Tadinha, o que será que houve?" 
Eu respondo logo:
"Não quero nem saber! Que Deus a ajude passar por essa dor."

"Camilla!"
Sou eu! É a minha vez. Que medo, que tensão, que aflição, que estranho...

Entrei na sala gelada.
Que frio!

"Qual é o exame?"
"Então doutora, eu estava grávida, tive 3 sangramentos e agora é a 1ª ultra p saber se ainda tô grávida." 
"Tudo bem, pode deitar."
Deitei.
A doutora levanta meu vestido e começa a passar aquela parada super gelada na minha barriga.
É como se fosse um mouse, sei lá! 
"Levante um pouco o bumbum"
Levantei.
"Tá grávida sim, Camilla"
Respiro fundo e um sorriso largo aparece.

Ahhhhhhhhhhhhhhhhh obrigada, Deus!!!
Que mistura de sentimentos agora!!! Tô grávida siiiiiiim!!! 

"Já dá p ouvir o coração?"
"Dá, vou colocar p você. Preciso que você olhe para aquela televisão ali, presta bem atenção."

Mirei os olhos para a televisão e nem pisquei! Fiquei quietinha para ouvir.

"Olha lá, presta a atenção."

Nossa, tô prestando atenção, mas não ouço nada... Será que é tão baixo assim?"
Ela mexe com aquele "mouse" e posiciona em uma imagem.

"Olha lá!"
Eu olhei e vi duas bolinhas e uma bolinha dentro de cada uma.

"São dois?"
Pensando que ela me responderia: "não, esse aqui é sei lá o que! E esse aqui é o seu bebê."
Mas ela respondeu:
"Sim, são dois! São gêmeos."
😳
Oi?
Gêmeos?
Lágrimas escorreram pelo meu rosto sem que eu me desce conta de que a emoção tinha me tomado por inteira. 
Sorria e sentia a felicidade morando ali, bem ali no meu sorriso.

"Ahhh que surpresa!"
Sei lá o que eu pensei na hora, nem sabia quem eu era.
Meu marido começou a chorar.
"Doutora, é sério?"
"É sim, olha lá! Com sorte, pode ser um casal."
Eu só conseguia pensar:
"eu não perdi. Eu tô grávida e tô grávida de gêmeos!!"
Ouvimos os dois corações, DOIS corações!!
Está tudo bem! Que felicidade!

Saímos da sala.
"Preciso ligar p todos!!!!"
Sentei na cadeira do laboratório mesmo, peguei o celular e comecei as ligações.

"Mãe, mãe acorda!!!"
"O que foi, filha?"
"Acabei de fazer a ultra. Tô grávida sim!!!"
"Viu, filha?? Eu disse que estava tudo bem. Que bom!!! Ouviu o coração? Sabe qtas semanas?"
"Mãe, são dois!"
"Dois o que?"
"Dois bebês, mãe! São gêmeos!"
"Gêmeos??? É sério, Camilla?"
"Acabei de sair da ultra, ouvi os dois corações!"
"Ahhhhh eu sabia!!! Vc estava comendo muito, era por isso! Parabéns, filha!!! Posso contar pra a sua avó??"
"Pode!"
.

"Pai, saí da ultra agora. Tô grávida!"
"Aí, viu? Não pode ficar nervosa e triste antes não. E tá tudo bem?"
"Pai, são dois."
Silêncio.
...
....
"Pai?"
"Porra, Camilla! Você está falando sério?"
"Tô, pai! São gêmeos!!"
E eu só ria.
"Puta que pariu!!!"
E eu pude sentir a felicidade dele através desse pequeno palavrão. Haha

Meu marido veio rindo na minha direção contando que a mãe dele tinha até deixado o  telefone cair no chão Pq começou a pular de felicidade.
.

"Doutora Claudia, sou eu a Camilla. Acabei de fazer a ultra."
"Oi Camilla! E aí, como foi?"
"São dois, doutora Claudia!"
"Gêmeos?? Ahhh que maravilha!!"
Eu só ouvia ela contando para a secretaria no consultório.
"A Camilla tá grávida de gêmeos!"
"Segunda quero você lá no consultório."
"Claro! Estarei lá!"

A felicidade mora aqui, dentro da minha barriga!

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Não pode ser!

Fiz o bendito exame de sangue e levei para a Dra Claudia, minha médica escolhida!

Segunda-feira de manhã.
Sentados na cadeira, na sala da médica peguei o exame na bolsa e entreguei pra ela.
Ela olhou e riu.
"O que foi?"
A Dra Claudia apontou com a caneta no papel e disse:
"Tá alto o número do beta hcg, quando é alto assim costuma ser gemelar..."
"São gêmeos???"
"Não, tem um ponto aqui oh, eu que não tinha visto."
"Ahh tá."

Estava tudo bem, marcamos a 1ª ultra para a próxima semana. Que felicidade, meu Deus!

É noite e estamos indo dormir, minha mãe está aqui em casa. Tiramos fotos durante o dia todo e minha vontade é sair contando para todos que eu encontrar na rua que estou grávida, tipo assim:
"Oi, tudo bem? Tô grávida!"
Rsrsrs

Comecei a sentir muita dor do lado esquerdo da barriga na parte de baixo. 
A dor não passa.
Fiquei um dia inteiro sentindo essa dor.
"Mãe, vou no hospital. Tô com medo, pode ser que esteja na outra trompa, de novo! É a mesma dor só que do outro lado!!"
"Filha, fica calma. Não está na outra trompa não, está onde tem que está. Isso deve ser gases."
"Gases dói assim??? Credo, mãe! Impossível isso ser só gases."
"Gases dói muito, filha. É Pq vc nunca teve."
"Caraca, mãe! Então eu preciso soltar pum!!!"
Minha mãe riu e disse: "é, filha. Precisa."

Meu marido chegou a noite e eu não conseguia nem mais ficar em pé de tanta dor. Não pensei 2x, vamos para o hospital.
Chovia muuuuuuuuuuito.
Dentro do carro eu liguei para o Dr Armando, aquele médico amigo que confirmou a 1ª gravidez e que mandou eu sair do 1º hospital, lembram? 
"Dr Armando, é uma dor terrível! Senti durante o dia inteiro. Tô indo no hospital."
Ele riu.
"Grávida sofre, Camilla! Muitos gases no início. Pode voltar p casa."

Não voltei p casa nada. Eu precisava ter certeza de que aquela dor eram só gases mesmo.
E o medo que eu sentia de estar na outra trompa?? Eu tinha que tirar a prova!
No caminho mandei mensagem para a minha médica avisando.
Cheguei no hospital e ela me liga.
"Assim que vc souber o resultado do exame vc me liga. Fica tranquila que está tudo bem."
"Pode deixar, Dra Claudia."

Que médica maravilhosa, ela me ligou! Morri de amores por ela.

Esperei, esperei, esperei...
Minha vez! 
"É o seguinte doutora, eu Tô grávida e preciso fazer uma ultra p saber se está dentro do útero ou na trompa esquerda. Preciso saber isso hoje."

Fui p ultra, a mesma médica que tinha feito a ultra da 1ª gravidez e que acompanhou a cirurgia. Uma fofa.

"Camilla, não tem nada fora do útero. Tá tudo lá bem direitinho."

Levantei sorridente da cama sem dor alguma! Foi incrível! 
Meu marido riu e disse:
"Passou a dor, Camilla? Tá boa já???"
"Para de palhaçada Pq eu tava com muita dor sim, mas passou. Tô feliz!"
"Tá vendo, doutora? Aí, oh! Passou a dor."
A médica e ele começaram a rir.
Liguei para a Dra Claudia rindo e contei que estava tudo certo e que a dor tinha até passado. 
Ela obviamente riu também.
"Tá bom, qualquer coisa vc me liga. Vai p casa descansar."

Ufa! Tá no útero.
Vida que segue, contando os dias para a 1ª ultra!

Madrugada, levanto para fazer xixi.
Sangue.
...
....
.....
Fiquei alguns segundos em choque e me desesperei.
"Amor, pelo amor de Deus! Mãe!!!!!"
E comecei a chorar sem parar, não conseguia me acalmar de jeito nenhum.
"Liga para a Dra Claudia! Liga logo!!!"
Um pânico tomou conta de mim, um pavor, um medo, um desespero tão grande... Eu só conseguia pensar "não pode estar acontecendo isso agora comigo."
Dra Claudia me acalmou dizendo que pode acontecer, para eu voltar p cama e dormir. Afinal, saiu bem pouquinho de sangue. 

Voltei p cama e dormi.
Levantei para fazer novamente xixi.

Sangue.

"Mãe!!!! Mãe, o que tá acontecendo???"
Comecei a chorar sem entender o pq aquilo tava acontecendo comigo. 
"Eu não posso sangrar! Grávidas não pode
Sangrar!!! Liga para a Doutora Claudia!!!"

Minha mãe saiu do meu quarto para falar com ela e demorou muito no celular! Depois Douglas falou com ela e saiu para comprar um remédio que ela mandou.
Que desespero!
 "Me contem a verdade, perdi, né???"
"Não, filha. Ela só passou um remédio e Douglas foi comprar."

Eu não perdi.
Eu não perdi.
Eu não perdi.

Douglas chegou da farmácia, ainda era madrugada e ele ligou novamente para a Dra Claudia que explicou como eu deveria colocar o remédio. 
Colocar um comprimido dentro da pepeca (vagina) e deitar.
Um por dia, Todos os dias na hora de deitar.

Amanheceu.
Fui no banheiro fazer o que? Xixi!
Eu já estava com medo de fazer xixi, eu não forçava nada, deixava o xixi sair sem nenhuma ajuda minha. Na minha cabeça, qualquer força mínima que fosse, poderia "expulsar" o meu bebê!

Sangue na calcinha. 
Levantei, virei e olhei para o vaso.

Sangue e coágulo.

Não acredito, agora eu perdi.
Coágulo? Chorei um choro dolorido, um choro de perda, de saudade, um choro de "como eu não consigo segurar meu próprio filho?"
Gritei minha mãe. 
Ela viu o coágulo e nitidamente vi o choro dela sendo engolido, apertando os lábios e se fazendo de forte ela me abraçou e disse: "filha, isso não quer dizer nada. Ficar sentada no vaso é pior, vamos deitar."
Eu deitei e não conseguia nem chorar mais. Era uma tristeza tão grande e o choro era tão pequeno...
Minha mãe ligou para a Dra Claudia e conversou com ela. 
Meu marido não sabia se chorava comigo ou se engolia o choro como minha mãe fez.
Ele me abraçou e disse: 
"Tenho certeza que vc ainda está grávida."
"Você viu o coágulo? 
"Vi"
"Não pode ter coágulo. Era grande, sei que perdi."
Ele colocou a mão na minha barriga e disse: "Nosso bebê tá aqui, não perdeu não."
"Eu tava tão feliz... Poxa."
E caí no choro.

Tentei me agarrar naquela certeza que o meu marido tinha. 
"Se ele tem essa certeza então é pq posso não ter perdido mesmo."

O dia passou se arrastando...
Só nos restava esperar o dia da ultra.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Eu já sabia!

Sentei no vaso de olhos fechados.
Respirei fundo. É agora.
Muita coisa passando na minha cabeça e ao mesmo tempo nada passa, é estranho. Tô nervosa, ansiosa, feliz, apreensiva, aflita, esperançosa e sentindo muito, muito, muuuuuito medo.
Abaixei a cabeça, mirei para a calcinha e abri os olhos. 
N-A-D-A!
Não tem nada no absorvente!!
Tô grávida siiiimmm! Tô grávida! Tô grávida, Tô grávidaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! 

Saí do banheiro disfarçando, chamei meu marido que estava do lado de fora da sala.

"Eu tô segurando isso comigo desde a madrugada, esperei até agora para ter certeza e agora eu já tenho."
"O que houve, amor??"
"Eu preciso falar com você! Eu preciso falar com alguém e vc tá aqui comigo, então vai vc mesmo!"
"Caraca, Camilla! O que aconteceu?"
"Eu não fiquei menstruada até agora! Minha menstruação nuuuuuuncaaaaaa atrasou. Eu tenho certeza que estou grávida!"
Não conseguia mais esconder o meu sorriso de orelha a orelha.
Meu marido fez uma cara de "não Tô entendendo." E disse: "mas como assim? Você tem certeza só Pq a menstruação não veio? Mas ela ainda pode vir, né? Não atrasa não? Será, amor??"
"Eu estou grávida sim, tenho certeza."
"Mas eu não quero ficar feliz atoa, poxa... Mas eu já Tô feliz!! Vc tem que fazer exame de sangue P ter certeza."
"Não vou fazer nada de exame de sangue, não começa! Vai lá na farmácia comprar 2 testes de gravidez que vou te mostrar."

Ele foi na farmácia e trouxe os 2 testes dizendo: "só pode fazer com o 1º xixi da manhã."
"Hoje em dia não é mais assim não, posso fazer o teste Qq hora. Mas tudo bem, farei p vc não ter dúvidas. Eu Tô grávidaaaaaaaaaaaaaaaaaa"

Liguei p minha mãe e contei tudo. 
"Filha, faça o teste primeiro, fica calma."
"Eu Tô calma, mãe! Não Tô nervosa, Tô grávidaaaaaaaaaaaaaaa"
"Tá bom, filha."

Eles estão me achando a louca que acha que tá grávida. Todos verão que estou sim!!
Saímos do trabalho e fomos para um restaurante comemorar o aniversário de um amigo.
Eu só pensava "tem um bebezinho aqui dentroooooo, tem sim! Meu bebezinhooooo."
Tava feliz, tava certa e tava sorrindo para tudo e todos.
Uma amiga (a mesma que ficou no hospital comigo e reclamou do meu xixi, lembram?) foi lá no restaurante me encontrar e subi para o banheiro com ela.
"Eu preciso te contar! Vem aqui!"
"Fala logo!"
Fechei a porta do banheiro.
"Eu acho que Tô grávida! Acho não, certeza."
Ela abriu um sorriso e disse: "sério?? Vc já fez o exame? Ahhhhhhh que maximoooo!"
"Não, não fiz exame ainda. Era para eu ter ficado menstruada de madrugada ou hoje de manhã e NADA até agora. Certeza que estou grávida, amiga. Mas eu farei o teste da farmácia com o 1º xixi da manhã."
"Caralho, vc tá grávida! Que maneiro! Não sei exatamente o que dizer, Tô feliiiiz"
"Siiimmmmm. Ahhhhhhhhh eu Tô grávidaaaaaa! Não conta p ninguém, hein?!"
"Tá bom, não vou contar. Que merda!"
E começamos a rir.

Lembro de comer macarrão com camarão pensando "meu bebezinho tá comendo comida gostosa."

Fomos p casa, dormimos.
Acordei de madrugada para fazer xixi...
"Ah! Vou fazer o teste agora!"
Peguei a caixinha, preparei tudo e fiz.
Espera... Espera... Espera...
Duas listras. 
Duas!
Duaaaaaaaaaas!!!
Eu sabiaaaaaaaaaaaaa!!!!
Volto p cama e durmo sorrindo.

Amanhece e eu acordo primeiro que o marido.
"Vou fazer o outro teste."
Duas listras!
Duas! Duas! Duas! Duaaaaaaaaas!!!
Peguei os dois testes e fui p cama, cheguei perto do ouvido do marido e disse: 

"Dois positivos tá bom p você?"
"Sério???"
Comecei a rir e a andar pela casa.
"Eu disse, eu disse! Tô grávidaaaaaaaaaa"
"Mas amor, essa 2ª listra não tá fraquinha? A cor não tem que ficar mais forte não?"
"Nãããão. É assim mesmo! Aceita, cara! Você vai ser papai!"
Ele ficou com aquela cara de bobo olhando os testes e lágrimas escorreram pelo seu rosto.
"Vamos para a casa da minha mãe, quero acordá-la!"

Me debrucei na cama da minha mãe, fui no ouvido dela e disse: "Dois positivos tá bom p você?"
Ela abriu os olhos, sorriu e disse: "Ahn?"
"Dois! Dois positivos tá bom?? Tô grávidaaaaaaaaaaaaaaaaa."
Ela me abraçou com um sorriso no rosto.
"Que bom, filha! Que bom!!!"
Levantou da cama e me abraçou novamente.
"Filha, vc vai ser mãe."

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Será que chegou minha vez???

Finalmente eu estou em casa, na minha casa. Com meus cachorros e meu marido.
Como é bom estar na nossa casa!
Suspiro...
Lembro que tinha um filhinho dentro de mim e não tenho mais. 
Suspiro novamente.

"Agora eu preciso de uma médica de verdade."
Meu marido me responde:
"Vamos juntos achar uma! Deus me livre aquela médica!"

Aquela médica me abandonou quando eu mais precisei. Lembra da minha ginecologista que me liberou para engravidar sem me receitar nenhuma vitamina e nenhum exame antes? Que quando eu estive no consultório dela com muitas dores e sangramento afirmou que eu não estava grávida? 
Ela me abandonou quando soube que eu estava com uma gravidez tubária. Minha mãe ligou p ela quando eu ainda estava no 1º hospital e ela disse: "não posso sair de casa agora, não posso operá-la."
E nunca mais eu a vi. 
Até hoje ela não sabe se saí viva ou morta daquela situação.
Minha mãe ficou super chateada, conhecia essa médica a anos, ela cuidava da minha mãe e de mim já fazia tanto tempo... Enfim, eu precisava agora de uma verdadeira médica!
Marquei consulta com a médica que a minha prima tinha me indicado, lembram? Que me atendeu no telefone e ouviu a minha história de que estava grávida mas tava com sangramento, mesmo sem nunca ter me visto? Então!
E mais 2 indicações.

1ª médica.
Pareceu realmente ser muito boa mas não me senti a vontade com ela. Não sei explicar, algo não bateu ali. Mas era uma opção muito boa. 
Lembro dela me dizer: "Se tem útero, pode ter filhos!"

2ª médica.
Pareceu boa mas não curti. 

3ª médica - (Aquela do telefone que minha prima me indicou.)
Me apresentei e me encantei!
É essa! 😍
E por coincidência ela conhecia o médico que tinha me operado. Eles faziam plantão no mesmo hospital público.
É, não tinha como ser outra.

Voltei a tomar anticoncepcional.
Ela recomendou durante pelo menos 6 meses para ficar bem cicatrizado e eu poder voltar a tentativa de engravidar. 
Comecei a tomar o DTN-fol também, ácido fólico antes de engravidar é essencial.

Durante esses 6 meses minha mãe seguia firme, piorava, melhorava, batia um desânimo e depois voltava a força.
Meu marido abrindo uma nova empresa onde apostávamos todas as nossas fichas.
Tempo...
Tempo....
Tempo.....
Tempo......
6 meses pareceram 6 anos!

Parei o anticoncepcional e fui trabalhar com o marido na nova empresa. 
Eu trabalhava na parte da tarde até fechar.

1º mês. Nada.

Fiz um exame para saber se eu estava ovulando direitinho. 
O resultado eu tive na hora conversando com a médica da ultra.
"Não está bom."
Eu estava no período para ovular e não estava ovulando.
A tristeza tomou conta de mim. 
Chorei muito quando saí do laboratório, mas logo lembrei das palavras do Dr Alexandre: "vai poder ter até 10 filhos se vc quiser." 

2º mês. Nada.

Um dia indo p trabalho vi outdoor sobre fertilização in vitro e inseminação artificial. "É isso!"
Falei com o marido e ele concordou em marcarmos uma consulta.
"Vamos ver qual é disso aí e como isso funciona."

3º mês e o dia da menstruação chegando...
Sábado, dia 5 de Outubro de 2013.

Acordei e nada no absorvente. 
(Minha menstruação nunca atrasou, desde o primeiro dia em que fiquei menstruada, nunca atrasou.)
Um misto de ansiedade, esperança e certeza me tomou naquele momento, sentada no vazo olhando para o absorvente seco na calcinha seca.
"Ela ainda pode vir hoje."
Tomei banho e me arrumei.
Eu e meu marido fomos para o trabalho.

Vontade de fazer xixi. É agora.
Calcinha e absorventes secos.

"Meu Deus!! Eu Tô grávida! Certeza!!! Tá bom, vou esperar mais um xixi."

Eu já nem conseguia trabalhar direito, só pensava no próximo xixi. 
Bebia água toda hora.

Vontade de fazer xixi. 
"É agora e pronto. Se tiver sangue, não ficarei triste."
E repetia isso dentro de mim, no maior cagaço do mundo!

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Doeu muito, mas agora Acabou!

Dezembro de 2012.
Segunda-feira.

Tive alta pela manhã.
Lembro de abrir a porta da casa da minha mãe e sentir um cheirinho maravilhoso de comida, minha tia estava fazendo o almoço e quando ela faz o almoço eu já sei que vai ter comida boa!
Fui recebida com um sorriso no rosto da minha tia e da minha mãe. 
Comi um delicioso risoto, lembro como se fosse hoje, tava muito bom!

Tomei banho e finalmente lavei o meu cabelo!!

"Camilla, não tem que trocar esses curativos não?"
"Mãe, o médico não disse nada sobre isso. Disse que eu posso tomar banho e molhar sem problema, só tenho que secar bem depois. Deixa isso."
Mando uma mensagem para o médico perguntando se tenho que trocar os curativos.
Ele me responde logo dizendo que sim.
"Dr Alexandre, minha mãe quer trocar, pode?"
"Sim. Vc escolhe se quer trocar no hospital ou com sua mãe. Certamente as enfermeiras  não serão tão carinhosas como a sua mãe. Deixe ela fazer."

Outro tapa na cara! 
"Ok, mãe! Pode fazer o curativo"

Minha mãe teve uma paciência de Jó comigo! O umbigo doía tanto, tanto, tanto, taaaaaaanto que eu não conseguia ficar tranquila. Minha mãe chegava perto e eu já tava gritando pedindo p/ não mexer.
Passei por esse momento tenso todos os dias na hora de trocar os curativos. 
Eu não conseguia deitar de lado, o umbigo doía muito e foi aí que eu comecei a dormir de barriga p cima e até hoje só começo dormindo assim.
Minha mãe me deu uma cinta de velcro que me ajudou muito, realmente melhorou muito a dor no umbigo. Como eu não conseguia contrair o abdômen a cinta me dava a estabilidade.

Depois de 10/15 dias eu acho, não me lembro bem fui tirar os pontos.
Meu marido e eu voltamos no hospital, lá dentro tem um consultório do médico que me operou.
"Que tenso! Deve doer pacas P tirar esses pontos!"
Deitei na cama e o médico direcionou uma luz bem forte para a minha barriga. Estava na hora, que medo!
"Dr Alexandre, carinho tá? Eu Tô sentindo muita dor no umbigo."
Ele riu e respondeu "vou tentar fazer de um jeito que vc sinta menos, peraí"

MEU DEUS!!!!!!!!!!!
PARECIA QUE TINHA UM GANCHO NO MEU UMBIGO E ELE ESTAVA PUXANDO SEM DÓ!
DOEU DEMAIS!!! MUITO MUITO MUITO!

Ufa! Acabou! 
Os outros pontos nem doeram, mas o umbigo valeu por todos da vida inteira!

Acabou. Nunca mais vou passar por isso de novo. Fim.
Vamos p nossa casa. 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Enfim, operada!

Senti vontade de começar a abrir os olhos e finalmente acordar, assim fiz e dei de cara com a minha sogra falando pelos cotovelos: "Você tá bem? Acordou, ela acordou! Tá bem, filha? Fiquei tão preocupada, você é como se fosse filha também, né?!" E ria ao mesmo tempo que falava, acredito eu que era de nervoso, nem ela sabia o que estava falando.
Disse que sim balançando a cabeça e olhei para a minha mãe.
"Você já quer colocar o piercing e os brincos?"
Minha mãe já sabia o que eu queria só de eu olhar p/ ela, nem precisei falar. 
Ela colocou os meus brincos e me deu o piercing de nariz falando: "Isso eu não sei colocar não, toma o espelho aqui e bota você."
Coloquei. Agora sim, me sinto menos pior. 
O meu cabelo tava sujo, todo oleoso e eu não podia tomar aqueeeeele banho gostoso e lavar os cabelos. 

Era noite, hora do jantar.
Uma vontade enorme de fazer xixi e a enfermeira fofa não queria que eu levantasse naquela hora. Gente, eu não consigo fazer xixi deitada não, eu queria levantar! 
Então a enfermeira disse que me deixaria ir ao banheiro se eu tomasse toda a sopa. Sentei na cama, minha mãe ficou na minha frente segurando a bandeja e eu tomei a sopa como se não houvesse amanhã! Lembro da sopa estar fria, tomei assim mesmo.

A enfermeira me ajudou a fica de pé e pediu para q eu colocasse minhas mãos nos ombros dela que ela iria me levando até o banheiro e que eu não poderia olhar para o chão. 
No meio do caminho passou pela minha cabeça "Pq será que não posso olhar para o chão?" 
Olhei rapidamente e fiquei tonta. 
"Ahhh tá. Era por isso."

Fiz xixi! Ah! que sensação boa!
Eu tava apertada, oras! Que alívio.
Fui até o espelho...
"Você quer ver como ficou, filha?"
"Eu quero, Tô sentindo um peso no umbigo, mãe. A barriga mole, não consigo contrair."
Levantei a camisola e tinham três quadradinhos brancos exatamente onde o médico havia dito e me mostrado.
"É assim mesmo, filha. Seria bom você colocar sua cinta ou uma calcinha bem alta para te dar firmeza."
"Tá doida, mãe?? Vai doer horrores se eu apertar isso aqui! Deixa assim."

Dezembro de 2012. 
Domingo de sol.

Recebo a visita do médico que me operou, estou com um pouco de anemia mas estou bem. 
Ele aperta os três curativos e eu quase morro qdo ele aperta sem dó o meu umbigo.
Que dor!!!!!!!!!!!!!
"Pelo amor de Deus, Doutor Alexandre!!!! Quer me matar? Dói demais o umbigo!!"
Ele riu e disse: "É assim mesmo. Seria bom você colocar uma cinta ou uma calça alta que te dê sustentação."

Minha mãe mais uma vez estava certa. Como sempre.

"Minha mãe falou isso também, mas vai doer mais se eu apertar."
"Ouça a sua mãe Pq ela sabe o que diz. Vai te ajudar se vc colocar."

O.K.

"Posso ir p/ casa já?"
"Não, vou te deixar mais uma noite, tá bom?"
"Bom não tá não, né... Tô morrendo de calor aqui, Tô com fome e quero tomar banho."
Ele riu de novo e respondeu:
"Ué, você pode tomar banho normalmente, não tem problema molhar os curativos não. E você não está comendo? Vou mandar trazerem comida p você." 

Minha amiga que estava comigo, tinha dormido no hospital na noite de sábado para domingo falou: "o ar tá ligado, vc tá com calor?"
"Eu quero ir p casa."
"Você vai, calma. Também Tô com fome, vou ver algo p gente comer."
Ela ficou cuidando de mim durante a madrugada toda, eu chamava de 10 em 10 minutos para fazer xixi. 
Eu não conseguia levantar da cama e ir sozinha.
"Porra, você faz xixi toda hora!"
E começamos a rir.
"Para de me fazer rir, dói muito o umbigo!"
"Ah tá. Desculpa." E rimos de novo.

Ainda bem que ela estava ali. ❤️





quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Até quem fim!

Cheguei no hospital e um grupo de amigos estava lá esperando por mim, fiquei muito feliz em vê-los ali me dando força e palavras carinhosas.
Logo a médica do plantão me chamou, me examinou e me encaminhou para ultra. Veio um homem baixinho e careca me pegar na cadeira de rodas, mesmo eu querendo ir andando, ele não deixou. Entrei na sala da ultra e duas médicas me esperavam, terminado o exame as duas médicas mais o homem baixinho careca vieram conversar comigo.
Pela 1ª vez eu estava entendendo o que estava acontecendo comigo, alguém estava me explicando. 🙏🏻
Sim, eu estava grávida. Mas o embrião estava na trompa direita e não no útero, que é onde devia estar. O embrião estava se formando na minha trompa direita e como a trompa não suporta o crescimento dele, ela se rompeu. Por isso tanto sangue, eu estava tendo uma hemorragia!
Fui apresentada para o médico cirurgião que iria me operar... e quem era? O homem baixinho e careca que eu achava que era o maqueiro!! Rsrs 
Ele conversou comigo tudo o que iria acontecer e me disse os prós e contras de continuar com a minha trompa direita. Lembro dele me dizer: "posso tentar salvá-la mas pode ser que na próxima vez aconteça a mesma coisa."
Não pensei 2x! Eu quero é viver! 
"Pode tirar!"
Ele continuou: "farei uma cirurgia por vídeo, tá? Será um furinho aqui, aqui e aqui tá bom?"
(Um dentro do umbigo, outro embaixo do umbigo na parte esquerda da barriga e outro no comecinho da pepeca. Sim, eu chamo de pepeca! Rsrs 😂)
"Ahhh então não vou precisar fazer cesárea, né??" Fui logo me aliviando e ele muito atencioso e carinhoso me respondeu: "Vou fazer por vídeo, se eu ver que precisa fazer uma cesárea na hora, vou fazer, tá bom?"

Tudo bem...

"Doutor, eu vou poder ter filhos??"
"Até 10 se vc quiser."

Um suspiro e um sorriso no meu rosto.
E fui para a sala de cirurgia.

Um misto de medo e alívio. Muito doido. Medo de morrer, medo de não acordar mais. Medo de dar errado.

Dezembro de 2012.
Sábado de sol quente.

Eu tava acordando mas ainda não conseguia e não queria forçar abrir os olhos, então fiquei ali na mesma posição como eu estava, sem saber onde estava. Percebi que uma das minhas mãos estava em cima da minha barriga e o outro braço esticado ao lado do meu corpo, então eu levantei esse braço que eu acredito ser o direito e comecei a abrir e fechar a mão, como se fosse uma boca falante. Uma forma que eu encontrei de dizer "olha Tô aqui sei lá onde, mas Tô acordada. Tem alguém aí??" 
Em meio a muitas vozes eu ouço: "filha, mamãe tá aqui."

Nossa, era tudo o que eu precisava ouvir. Ela continuou: "tá tudo bem, vc tá na maca esperando o maqueiro para te levar p o quarto. Mamãe não vai sair daqui."
Abaixei meu braço, minha mãe estava ali e eu não precisava de mais nada.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Afinal, o que está acontecendo?

A enxaqueca passou, marido chegou para me buscar. Bora p/ casa!
Engarrafamento monstro em Icaraí e em São Francisco... 
De repente vem aquela dor de novo, pego um lenço umedecido na bolsa e passo... SANGUE! 
Meu marido retorna e vai para o hospital mais próximo.
"Agora vc vai ter que ir no hospital, Camilla! Não tem jeito!"
Chorando muito, peguei o celular e liguei p minha mãe: "Mãe, Tô indo p hospital, aquela dor voltou forte e eu Tô sangrando. Mãe, eu Tô perdendo meu nenenzinho."
Senti na voz da minha mãe o desespero e a vontade de sair e ir ao meu encontro, mas ela não podia. Ligou para o meu pai e mandou, literalmente mandou ele ir correndo me ver no hospital.
A médica fazia a ultra e me perguntava: "vc fez o exame quando? Deu positivo??"
"Sim, BHCG 433.38."
E a dúvida tomava conta de mim... O que poderia está acontecendo??

A médica diz que não está segura em me mandar embora, pede um novo exame de sangue e minha internação, ela queria fazer uma nova ultra na manhã seguinte antes de sair do plantão.
O exame de sangue deu positivo.
Tiveram q fazer um acesso caso eu precisasse de medicação. 
Quem me conhece sabe o Qto eu morro toda vez que tenho que fazer exames de sangue ou Qq coisa com agulhas. 😫
Que sofrimento, o que está acontecendo? Ninguém me fala nada!!

A dor que antes era só no lado direito da barriga, agora estava indo para as costas também, na parte lombar. Fui acordada durante toda a noite pela dor.

Amanheceu.
Eram 6 horas da manhã quando a enfermeira foi me buscar para um novo exame.
Meus pais já estavam a caminho do hospital, não via a hora de ver minha mãe.
Duas médicas para fazer meu exame, a médica que tinha me atendido na noite anterior e a médica que estava entrando no plantão. 
Uma médica mostrou na tela da TV e a outra confirmou que sim com a cabeça. 
"Vc está grávida sim, mas não está no útero."

Oi??? 
O que está acontecendo comigo?? Meu filho morreu??

Não lembro o nome da médica, infelizmente. Lembro do cabelo vermelho dela preso, jaleco branco, saiu andando na minha frente falando: "olha, vou ligar para o anestesista. Vamos fazer uma cesárea de urgência."

Anestesista??? Cesárea?? 
Pq???
Eu vou levar injeção nas costas por nada??
Não vou mesmo!!! 
Eu quero saber o que está acontecendo!! 
Chorando muito eu pedi pra que ela me explicasse o que estava realmente acontecendo. 
" não foi para o útero. vc já está com muito líquido aí dentro, tem que tirar logo. Não tem jeito, temos que rasgar."

Rasgar?????????????????? 
Eu e meu marido só conseguíamos chorar.
Lembro-me de estar sentada na cadeira de rodas e perguntar para a médica de cabelo vermelho preso: 
"eu vou poder engravidar de novo?"
E ela com aquela cara de nojenta e soberba balançou a cabeça como quem diz "sei não, sinto muito." dizendo: "Humnn"

Humnn????

Chorei muito, olhei para o meu marido que também não conseguia parar de chorar e pedi "perdão". 
"Desculpa, amor. Não poderei ter filhos."

Que culpa que eu senti naquele momento! Que insegurança!!! 
Tantas coisas passando na minha cabeça e eu não sabia ainda o que realmente tinha acontecido e nem o Pq tinha acontecido. Será que eu fiz alguma coisa errada? Comi algo q não podia?? Nasci com algo errado?

Minha mãe chegou já dizendo: "minha filha vc não tem problema nenhum! Vc não precisa fazer cesárea. Vamos sair daqui, ninguém vai colocar a mão em vc aqui, não gosto desse hospital."

E se a minha mãe não gosta, eu também não gosto. Confio nela 100%. 

Enquanto minha mãe ligava para a minha ginecologista o meu marido ligava para o médico que me deu os parabéns qdo viu o meu exame, lembram?
E o médico disse o mesmo que a minha mãe:  "Douglas, saia desse hospital agora. A Camilla não precisa fazer cesárea, pode ser uma cirurgia por vídeo."

Eu disse que podia confiar na minha mãe! 😉

Lembro da médica de cabelo vermelho preso não querer me dar alta e a minha mãe já armando um barraco: "então vamos a revelia mesmo! Aqui minha filha não fica, já tem uma equipe esperando por ela em outro hospital." 

Eu só pensava "minha mãe é o cara! Agora sim, estou segura."

E fomos para o outro hospital.