terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Não pode ser!

Fiz o bendito exame de sangue e levei para a Dra Claudia, minha médica escolhida!

Segunda-feira de manhã.
Sentados na cadeira, na sala da médica peguei o exame na bolsa e entreguei pra ela.
Ela olhou e riu.
"O que foi?"
A Dra Claudia apontou com a caneta no papel e disse:
"Tá alto o número do beta hcg, quando é alto assim costuma ser gemelar..."
"São gêmeos???"
"Não, tem um ponto aqui oh, eu que não tinha visto."
"Ahh tá."

Estava tudo bem, marcamos a 1ª ultra para a próxima semana. Que felicidade, meu Deus!

É noite e estamos indo dormir, minha mãe está aqui em casa. Tiramos fotos durante o dia todo e minha vontade é sair contando para todos que eu encontrar na rua que estou grávida, tipo assim:
"Oi, tudo bem? Tô grávida!"
Rsrsrs

Comecei a sentir muita dor do lado esquerdo da barriga na parte de baixo. 
A dor não passa.
Fiquei um dia inteiro sentindo essa dor.
"Mãe, vou no hospital. Tô com medo, pode ser que esteja na outra trompa, de novo! É a mesma dor só que do outro lado!!"
"Filha, fica calma. Não está na outra trompa não, está onde tem que está. Isso deve ser gases."
"Gases dói assim??? Credo, mãe! Impossível isso ser só gases."
"Gases dói muito, filha. É Pq vc nunca teve."
"Caraca, mãe! Então eu preciso soltar pum!!!"
Minha mãe riu e disse: "é, filha. Precisa."

Meu marido chegou a noite e eu não conseguia nem mais ficar em pé de tanta dor. Não pensei 2x, vamos para o hospital.
Chovia muuuuuuuuuuito.
Dentro do carro eu liguei para o Dr Armando, aquele médico amigo que confirmou a 1ª gravidez e que mandou eu sair do 1º hospital, lembram? 
"Dr Armando, é uma dor terrível! Senti durante o dia inteiro. Tô indo no hospital."
Ele riu.
"Grávida sofre, Camilla! Muitos gases no início. Pode voltar p casa."

Não voltei p casa nada. Eu precisava ter certeza de que aquela dor eram só gases mesmo.
E o medo que eu sentia de estar na outra trompa?? Eu tinha que tirar a prova!
No caminho mandei mensagem para a minha médica avisando.
Cheguei no hospital e ela me liga.
"Assim que vc souber o resultado do exame vc me liga. Fica tranquila que está tudo bem."
"Pode deixar, Dra Claudia."

Que médica maravilhosa, ela me ligou! Morri de amores por ela.

Esperei, esperei, esperei...
Minha vez! 
"É o seguinte doutora, eu Tô grávida e preciso fazer uma ultra p saber se está dentro do útero ou na trompa esquerda. Preciso saber isso hoje."

Fui p ultra, a mesma médica que tinha feito a ultra da 1ª gravidez e que acompanhou a cirurgia. Uma fofa.

"Camilla, não tem nada fora do útero. Tá tudo lá bem direitinho."

Levantei sorridente da cama sem dor alguma! Foi incrível! 
Meu marido riu e disse:
"Passou a dor, Camilla? Tá boa já???"
"Para de palhaçada Pq eu tava com muita dor sim, mas passou. Tô feliz!"
"Tá vendo, doutora? Aí, oh! Passou a dor."
A médica e ele começaram a rir.
Liguei para a Dra Claudia rindo e contei que estava tudo certo e que a dor tinha até passado. 
Ela obviamente riu também.
"Tá bom, qualquer coisa vc me liga. Vai p casa descansar."

Ufa! Tá no útero.
Vida que segue, contando os dias para a 1ª ultra!

Madrugada, levanto para fazer xixi.
Sangue.
...
....
.....
Fiquei alguns segundos em choque e me desesperei.
"Amor, pelo amor de Deus! Mãe!!!!!"
E comecei a chorar sem parar, não conseguia me acalmar de jeito nenhum.
"Liga para a Dra Claudia! Liga logo!!!"
Um pânico tomou conta de mim, um pavor, um medo, um desespero tão grande... Eu só conseguia pensar "não pode estar acontecendo isso agora comigo."
Dra Claudia me acalmou dizendo que pode acontecer, para eu voltar p cama e dormir. Afinal, saiu bem pouquinho de sangue. 

Voltei p cama e dormi.
Levantei para fazer novamente xixi.

Sangue.

"Mãe!!!! Mãe, o que tá acontecendo???"
Comecei a chorar sem entender o pq aquilo tava acontecendo comigo. 
"Eu não posso sangrar! Grávidas não pode
Sangrar!!! Liga para a Doutora Claudia!!!"

Minha mãe saiu do meu quarto para falar com ela e demorou muito no celular! Depois Douglas falou com ela e saiu para comprar um remédio que ela mandou.
Que desespero!
 "Me contem a verdade, perdi, né???"
"Não, filha. Ela só passou um remédio e Douglas foi comprar."

Eu não perdi.
Eu não perdi.
Eu não perdi.

Douglas chegou da farmácia, ainda era madrugada e ele ligou novamente para a Dra Claudia que explicou como eu deveria colocar o remédio. 
Colocar um comprimido dentro da pepeca (vagina) e deitar.
Um por dia, Todos os dias na hora de deitar.

Amanheceu.
Fui no banheiro fazer o que? Xixi!
Eu já estava com medo de fazer xixi, eu não forçava nada, deixava o xixi sair sem nenhuma ajuda minha. Na minha cabeça, qualquer força mínima que fosse, poderia "expulsar" o meu bebê!

Sangue na calcinha. 
Levantei, virei e olhei para o vaso.

Sangue e coágulo.

Não acredito, agora eu perdi.
Coágulo? Chorei um choro dolorido, um choro de perda, de saudade, um choro de "como eu não consigo segurar meu próprio filho?"
Gritei minha mãe. 
Ela viu o coágulo e nitidamente vi o choro dela sendo engolido, apertando os lábios e se fazendo de forte ela me abraçou e disse: "filha, isso não quer dizer nada. Ficar sentada no vaso é pior, vamos deitar."
Eu deitei e não conseguia nem chorar mais. Era uma tristeza tão grande e o choro era tão pequeno...
Minha mãe ligou para a Dra Claudia e conversou com ela. 
Meu marido não sabia se chorava comigo ou se engolia o choro como minha mãe fez.
Ele me abraçou e disse: 
"Tenho certeza que vc ainda está grávida."
"Você viu o coágulo? 
"Vi"
"Não pode ter coágulo. Era grande, sei que perdi."
Ele colocou a mão na minha barriga e disse: "Nosso bebê tá aqui, não perdeu não."
"Eu tava tão feliz... Poxa."
E caí no choro.

Tentei me agarrar naquela certeza que o meu marido tinha. 
"Se ele tem essa certeza então é pq posso não ter perdido mesmo."

O dia passou se arrastando...
Só nos restava esperar o dia da ultra.

Nenhum comentário:

Postar um comentário