quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Até quem fim!

Cheguei no hospital e um grupo de amigos estava lá esperando por mim, fiquei muito feliz em vê-los ali me dando força e palavras carinhosas.
Logo a médica do plantão me chamou, me examinou e me encaminhou para ultra. Veio um homem baixinho e careca me pegar na cadeira de rodas, mesmo eu querendo ir andando, ele não deixou. Entrei na sala da ultra e duas médicas me esperavam, terminado o exame as duas médicas mais o homem baixinho careca vieram conversar comigo.
Pela 1ª vez eu estava entendendo o que estava acontecendo comigo, alguém estava me explicando. 🙏🏻
Sim, eu estava grávida. Mas o embrião estava na trompa direita e não no útero, que é onde devia estar. O embrião estava se formando na minha trompa direita e como a trompa não suporta o crescimento dele, ela se rompeu. Por isso tanto sangue, eu estava tendo uma hemorragia!
Fui apresentada para o médico cirurgião que iria me operar... e quem era? O homem baixinho e careca que eu achava que era o maqueiro!! Rsrs 
Ele conversou comigo tudo o que iria acontecer e me disse os prós e contras de continuar com a minha trompa direita. Lembro dele me dizer: "posso tentar salvá-la mas pode ser que na próxima vez aconteça a mesma coisa."
Não pensei 2x! Eu quero é viver! 
"Pode tirar!"
Ele continuou: "farei uma cirurgia por vídeo, tá? Será um furinho aqui, aqui e aqui tá bom?"
(Um dentro do umbigo, outro embaixo do umbigo na parte esquerda da barriga e outro no comecinho da pepeca. Sim, eu chamo de pepeca! Rsrs 😂)
"Ahhh então não vou precisar fazer cesárea, né??" Fui logo me aliviando e ele muito atencioso e carinhoso me respondeu: "Vou fazer por vídeo, se eu ver que precisa fazer uma cesárea na hora, vou fazer, tá bom?"

Tudo bem...

"Doutor, eu vou poder ter filhos??"
"Até 10 se vc quiser."

Um suspiro e um sorriso no meu rosto.
E fui para a sala de cirurgia.

Um misto de medo e alívio. Muito doido. Medo de morrer, medo de não acordar mais. Medo de dar errado.

Dezembro de 2012.
Sábado de sol quente.

Eu tava acordando mas ainda não conseguia e não queria forçar abrir os olhos, então fiquei ali na mesma posição como eu estava, sem saber onde estava. Percebi que uma das minhas mãos estava em cima da minha barriga e o outro braço esticado ao lado do meu corpo, então eu levantei esse braço que eu acredito ser o direito e comecei a abrir e fechar a mão, como se fosse uma boca falante. Uma forma que eu encontrei de dizer "olha Tô aqui sei lá onde, mas Tô acordada. Tem alguém aí??" 
Em meio a muitas vozes eu ouço: "filha, mamãe tá aqui."

Nossa, era tudo o que eu precisava ouvir. Ela continuou: "tá tudo bem, vc tá na maca esperando o maqueiro para te levar p o quarto. Mamãe não vai sair daqui."
Abaixei meu braço, minha mãe estava ali e eu não precisava de mais nada.

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