sexta-feira, 4 de março de 2016

Entre a dor e o amor.

Continuei a caminhada da vida com uma faca cravada em meu peito. O ferimento não fechará nunca mais.
Às vezes dói muito, outras vezes dói menos. Mas sempre dói. 
Um dia eu acostumo com a dor, talvez.

Saí da maternidade e fui para a casa da minha tia Elaine, minha prima Izabelly gentilmente me emprestou o quarto dela para que eu ficasse com os gêmeos e o meu marido.
Colocamos o berço camping ao lado da cama, babá eletrônica sempre ligada e eu morta de cansada.
Comprei 3 bombinhas, a que mais usei foi a elétrica. Tirava o leite e dava na mamadeira para um enquanto o outro mamava no peito.
Depois dava o complemento para os dois.
Tinha vezes que um bebê esvaziava meus dois peitos e ainda mamava o complemento! 

O João Pedro regurgitava muito, então sempre tinha que ficar vigiando ele...
De 3 em 3 horas dava complemento e o peito era qualquer hora. Eu não conseguia dormir, qdo eu achava que ia tirar um cochilo... Pim! Pim! Pim! Meu celular me avisava que já era a hora do meu outro bebê mamar! Meu Deus!
Eu aprendi tudo sozinha, sabe aquela história de quando nasce um bebê nasce uma mãe? Eu tenho certeza disso!

Minhas noites eram bem exaustivas e eu sentia uma saudade muito grande da minha mãe. 
Eu só tinha o meu marido e a minha tia Elaine que por algumas vezes tentou me confortar e me ajudou muito! Tudo o que eu sentia de diferente eu perguntava p ela, alguma dúvida que eu tivesse eu perguntava p ela.
Passei dias tristes e noites longas de lágrimas.
Meu marido sempre do meu lado me ajudando com as mamadeiras e mamadas no peito em todas as madrugadas.
De manha ele saía p trabalhar exausto.
Eu ficava durante o dia com a minha avó e a minha sogra que ia p lá todos os dias me ajudar.
Era muito trabalho!

Era noite e eu tinha acabado de dar mamar para a Mila e estava em pé com ela no colo...
Ela abriu os olhinhos e eu fiquei ali babando...
Opa! 
Percebi que o branco dos olhos dela estava amarelado... 
"Humnnn isso não é bom."

Peguei o celular e mandei uma mensagem no WhatsApp do pediatra.

"Temos que vê-la e fazer um exame de sangue. Vá na emergência do hospital Icaraí Pq atualmente é a melhor de Niterói."

Liguei para o Douglas na mesma hora.

"Amor, vc pode vir mais cedo hoje? Eu preciso levar a Mila ao médico."
"Posso sim, mas Pq? O que houve?"
"Estou achando a Mila amarela e já falei com o pediatra, temos que levá-la no hospital."
"Já To indo."
"Tá, To pronta já."

Eu realmente já estava pronta, já tinha colocado um vestido e um casaco, cabelo ia do jeito que tava e a cara também. Não tinha tempo de me ajeitar e nem tava afim!
Ele logo chegou e fomos para o hospital Icaraí, eu não gostava daquele hospital mas a parte de pediatria era realmente muito boa e era toda da perinatal.
Levei os dois bebês, faz o exame nos dois para ver, né?!
Chegamos lá e a médica examinou eles e encaminhou para o exame de sangue.
Eu não tinha como segurar meus filhos para fazer esse exame que p mim é um dos piores do mundo! Eu odeio exame de sangue, morro de medo e de dor! 
O Douglas segurou e ficou com eles.
Eu sofria uma morte lenta a cada choro...

O exame ia demorar mais de 1 hora p ficar pronto, então a médica nos liberou para irmos p casa, os gêmeos ainda não tinham tomado nenhuma vacina e ali tinham muitas crianças.
Voltamos p casa e qdo deu a hora de pegar o resultado o Douglas foi lá no hospital.

Estou sentada na poltrona com as pernas em cima do puff, eu ainda estava muito, muito, muito inchada e meus pés doíam demais!
Os gêmeos dormindo...
Douglas entra pela porta da sala e diz:
"Os resultados já estavam prontos. A médica viu e disse que está tudo bem com o João Pedro, que ele só precisa tomar um pouco de sol todos os dias pela manhã."
"Ahhh que bom! Tomara que faça sol amanhã!"
"Mas a Mila vai ter que ficar internada."
"INTERNADA????????"
"É pq a bilirrubina dela tá muito alta e precisa tomar banho de luz lá ..."
"MINHA FILHINHA NÃO! Não, ela não pode ficar longe de mim não!"

Um pânico tomou conta de mim, perder a minha filha também???? JAMAIS! Não aceito isso!!!
O choro que estava guardado veio à tona e não pude segurar mais nada!



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A escuridão e a luz.

21 de Maio de 2014.
Quarta-feira.

Acordei por volta das 6 horas da manhã, não me lembro bem, sei que foi bem cedo.
A enfermeira veio para me ajudar a levantar e tomar banho.
"Que horas vcs vão trazer meus bebezinhos?"
"Depois que vc tomar banho e tomar café."

Levantei e nossa! Que dor!!!
Cesárea dói muito, muito, muitoooooooo! Deus me livre!
Eu andava e doía, eu ria e doía, eu espirrava e doía, tossia e doía... Credo!
Tomei banho sozinha sentindo aquele "peso" na parte de baixo da barriga... Os movimentos eram todos bem devagar, abaixar nem pensar! A enfermeira ficou no banheiro me esperando, uma fofa!
Eu estava doida para colocar a minha cinta mas quando peguei a cinta na mão já vi que não ia dar... Eu ainda estava enorme!
Ok, relaxa!
Tomei café e logo ouvi o barulho do carrinho no corredor, sim, poderia ser o carrinho com o bebezinho de qualquer outra mãe daquele corredor, não sei como explicar, mas eu sabia que eram os meus bebês! 
Me ajeitei toda na cama para recebê-los, meu marido já pronto para abrir a porta do quarto para eles entrarem.
Toc toc!
Meu marido abriu a porta e a luz entrou no meu quarto... 
A enfermeira sorrindo entrou com o carrinho.
"Olha quem chegooooou!"
"Me ajuda a colocar os dois aqui no meu colo?"
"Claro, mamãe!"
Ela colocou a Mila de um lado e o João Pedro do outro.
Eu não sabia p quem eu olhava, eram meus nenéns, meus filhos! Filhos!

"Vamos dar de mamar p eles, mamãe?"
"Vamos, você me ensina?"
"Claro, estou aqui p isso."

A enfermeira me mandou sentar na cadeira, me ensinou como eu devia apoiar o bebê e todo o resto... Fiz tudo e ninguém queria sugar nada! Eu achei que seria super fácil, só colocar a boquinha do bebê no bico do peito e eles iam mamar. Nada disso.

"É assim mesmo, mamãe. Os bebês são preguiçosos."
"Sendo filho meu então, né..."
E começamos a rir.

Ela começou a me mostrar e a me explicar que temos que ir movimentando o bebê, em alguns casos até tiramos a roupinha deles, mexendo nos pezinhos, nas bochechas e no queixinho para eles acordarem e mamar.
Super funcionou, mas eles sugavam e logo paravam.
Eu ainda não tinha leite, só aquele colostro e como eles sugavam e paravam logo, fui para a sala de tirar leite na bombinha. (Esqueci o nome da sala).
Levaram os gêmeos para tomar banho e mamar (Sim, eles tomaram complemento.) enquanto eu fui para a sala tirar o meu leite.
Aprendi a tirar na bombinha olhando uma outra mãe tirando, no início dói muito e é super estranho mas depois vai acostumando com a dor, fiquei lá uns 30 minutos e não saiu praticamente nada! 
Uns 20 ml de colostro. 😒 fiquei mal, achando que não teria leite e que seria uma péssima mãe.
Entreguei aquele pouquinho para a enfermeira que já levou para um dos gêmeos tomar, ela me disse que ia melhorar e o leite ia chegar.
Peguei o elevador para voltar para o meu andar, no corredor indo para o quarto encontrei meu marido e ele disse que tinha pego o meu celular pq o dele estava sem poder fazer ligações. 
"Tô indo registrar os bebês, tá bom?"
"Tá bom."
"Como foi lá? Conseguiu tirar o leite?"
"Quase nada, mas a enfermeira disse que é assim mesmo."
"Volta lá mais tarde e tenta de novo."
"Vou sim."
"Amor, preciso te dizer uma coisa sobre a sua mãe..."
"O que foi? Ela tá bem?"
"Amor, sua mãe entrou em coma."

Parei de andar, gelei.

"Tudo bem, ela vai sair do coma e nós vamos lá p ela conhecer os netos. O importante é ela estar viva!"
"Amor, vc precisa ser forte para o que pode acontecer."
"Não vai acontecer nada."

Me deu um abraço e foi.
Entrei no quarto e estavam minha tia Elaine e minha amiga Natália.
"Ué, você aqui?"
"É, hoje eu tive uma reunião aqui perto e não vou voltar p trabalho mais hoje não, vou ficar aqui com você."
"Que bom, amiga!"
"E vc, tia? Veio ficar aqui comigo também?"
"Eu sabia que Douglas ia sair, então eu vim."
"Tá bom"

Deitei na cama, parecia que eu tinha feito uma maratona!
Ficamos conversando até que o celular do meu marido toca, uma mensagem do Breno, nosso amigo.
Abri a mensagem.

"A mãe da Camilla faleceu."
"Putz, cara"

Fiquei olhando aquela tela do celular sem saber o que fazer.
Minha mãe não estava em coma, ela se foi!
Meu marido tinha levado o meu celular exatamente por isso, p/ eu não ver nada.

O vazio tomou conta de mim, o teto do mundo inteiro caiu em cima de mim, as paredes estavam me apertando e o chão... Eu não tinha mais onde pisar! 
Não tinha mais como ficar de pé, meu chão desapareceu. Eu caí em um profundo buraco escuro e sem fim.
Eu já não conseguia controlar nada, as lágrimas saíram não só pelos meus olhos mas pelo meu corpo inteiro.

"Minha mãe morreu?"

Eu estava sentada na cama com o celular na mão.
Minha tia Elaine do meu lado direito se levantou do sofá com os olhos cheios d' água, a Natalia que estava do meu lado esquerdo, se levantou na cadeira chorando...
As duas vieram em minha direção e elas não conseguiam falar nada, só choravam. 
Se elas falaram eu não me lembro, eu não conseguia ouvir nada e ninguém.
Minha mãe se foi.
O que eu mais temia, aconteceu.
O que eu iria fazer agora?
O que vai ser de mim sem ela?
Minha vida acabou.
Meu abraço se foi.
Meu cheirinho não existe mais.
Não vou ouvir mais a voz dela, nunca mais.
Ela não conheceu os meus filhos, os netos dela.
Eu não consegui.
Ela não conseguiu esperar.
Ela nem sabia que eu tinha feito uma cesárea!
Não acredito que isso tá acontecendo comigo.
Mãe.
Mãe, eu preciso tanto de vc agora...
Como que eu vou fazer?
Minha mãe, minha mãe...
Meu tudo acabou.
Minha força se foi.
Minha fortaleza, meu sorriso, minha segurança e minha alegria... Acabou tudo!

Minhas lágrimas escorriam pelo meu rosto e ardia, meu rosto todo estava ardendo.
O que eu ia fazer agora da minha vida?
Meu olhar parou em um ponto, lembro de não conseguir enxergar nada, fui parando de chorar...
Ouvi o barulho do carrinho vindo no corredor.
Coloquei o celular na mesinha do lado da cama, sequei o rosto com as mãos, respirei fundo e disse:

"São os meus filhos!"

Não poderia passar essa dor p eles, de forma alguma.
Minha mãe sempre segurou as dores dela de mim, eu faria o mesmo pelos meus.

A enfermeira entrou dentro do quarto com eles e o choro virou sorriso.
A escuridão virou sol.
O terror virou paz.

Ficamos todos ali nos derretendo por eles...
Eu precisava ser forte, por eles e por ela! Minha mãe sempre foi uma mulher forte, eu também tenho que ser. 

Por eles e por ela.






terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Nasceram!!!!

Deitei de lado, o lado direito para cima.
"Agora vc vai tentar abraçar os seus joelhos, abaixa a cabeça também, encosta o seu queixo no peito."
A Dra Claudia ali me ajudando mas estava muito difícil, minha barriga tava muito grande, minhas pernas suuuuuuper inchadas, meus joelhos muuuuuitos inchados...

Senti!
Senti a agulha!
Fechei e apertei os olhos, franzi as sobrancelhas, fiz uma careta de "tá doendo!"
Mas continuei quietinha, comecei a sentir uma pressão no quadril do lado esquerdo e não pensei duas vezes, falei:

"Gente! Tá doendo aqui no quadril, no lado esquerdo. Uma pressão, uma dor forte!"

Na minha cabeça eu precisava avisar!
Vai que ninguém sabe o que está acontecendo e eu fico com problema? A parada não dá certo??? Deus me livre! Se eu sentir um beliscão na orelha eu aviso! Rsrs
A minha médica estava me abraçando, me ajudando a ficar na posição correta enquanto o anestesista estava atrás de mim, eles não falaram nada então eu achei que não tivessem me ouvido, então resolvi falar mais alto.
"Dra Claudia, tô sentindo a pressão aqui ainda! Tá doendo! Tá doendo!!! No lado esquerdo do quadril!"
"Fica calma, vai passar. Vamos sentar..."

Resolveram continuar a anestesia comigo sentada.
Sentei de frente para a minha médica, ela colocou as mãos nos meus ombros e foi me puxando p baixo, eu tinha que ficar a mais curvada possível. 
Consegui e não senti absolutamente mais nada! 
Qdo eu achei que o anestesista iria começar, eles já me deitaram novamente. Ufa!
Fiquei lá de barriga p cima, com os braços abertos.
Eu olhava a máquina que media a minha pressão de 3 em 3 minutos, ficava atrás de mim, do lado... Eu só virava um pouco a cabeça.
O anestesista ficou o tempo todo ali do meu lado.
"Tá tudo bem, não precisa se preocupar."
"Tenho medo da minha pressão subir."
"Não vai subir. Fica tranquila que já já seus filhinhos vão estar aqui."
"Sabe do que eu tenho medo?"
"Fala..."
"De começarem a cesárea e eu sentir tudo! A anestesia não pegar."
"Tenta mexer o seu dedão do pé."
"Putz! Não consigo. Mas eu to mexendo!"
"Pois é! Não está mexendo."
E ele começou a rir.
"E agora??"
"Não conseguiu."
"Mas se eu sentir vcs me abrindo?"
"Já começou e vc não está sentindo nada."
"Já??? Ai, meu Deus!"
"Agora é rápido!"

Um monte de coisas passou pela minha cabeça, minha mãe que não estava ali comigo... eu, Camilla, estava grávida de gêmeos e estava ali fazendo uma cesárea!!
Meu marido chegou ali todo atrapalhado e muito feliz...
"Amor, vou ficar lá do outro lado para poder filmar e tirar foto, tá?"
Fiz sinal de sim com a cabeça.
Ele me deu um beijo e foi.
Eu não abri mais a boca para falar, não queria ficar com gases de jeito nenhum.

Fiquei ali quietinha vendo pela televisão o pessoal lá no cine parto, não via perfeitamente pq estava sem óculos, mas via. Rsrs

"É agora, quem será que vem primeiro??"
Oi??? Agora??
"É a Milaaaa! Ownn meu Deus do céu!"
A Dra Claudia já fazendo até voz derretida de amores pela Mila.
E aí eu ouvi o choro dela...
Cara, tinha mesmo um bebê dentro de mim!!! Tinha mesmo uma vida! Uma menina que tem voz e chora!!!

Sim, foi isso que passou na minha mente na hora.

As lágrimas vieram e eu já não tinha mais controle nenhum de nada! Comecei a chorar de felicidade, de tanta coisa...

"Agora é o João Pedro! Ma-gre-lhiiiinho"
E a Dra Claudia novamente fazendo voz derretida de amores pelo João Pedro.
E eu ouvi o chorinho dele... Sim!! Tinha outro dentro de mim! Outra vida! Um menino que tem voz e choooooora. 
São todos meeeeeeeeus, saíram daqui de dentro de mim!!!
Eu quero ver! Eu quero ver!!!

O Douglas chegou do meu lado junto com uma moça da equipe, cada um com um bebê no colo.
"Olha amor, olha"
A moça colocou a Mila no meu peito esquerdo e colocou meu braço por cima dela e colocou o João Pedro no meu peito direito e colocou o meu outro braço por cima dele também.

Meu Deus...
São os meus filhos...
Os meus!
Corri meu olhar para ver o nariz dos dois, pode parecer imbecil e fútil mas eu pedi a Deus para que a minha menina não puxasse o nariz do pai! Haha ☺️
Os rostos mais perfeitos que já vi na vida!
O nariz da Mila era igual ao meu e o da minha mãe.
O nariz do João Pedro era igual ao do meu avô Carlos, aquele que faleceu qdo eu trabalhava lá na loja, lembram? O pai da minha mãe.
Eu olhei para o João Pedro e pensei "com quem ele se parece? Meu filhinho lindo!"
Olhei para a Mila e pensei "minha filhinha é bolotinha igual a mamãe"

Eu tava tão feliz e queria tanto ver a felicidade da minha mãe ali comigo, eu estava feliz, mas faltava ela.

"Olha p cá, mamãe!"
Tiramos a foto tradicional.
Olhei para o Douglas e ele já sabia qual era a minha pergunta.
"Pode deixar, já vi e sim, eles tem todos os dedinhos dos pés e das mãos. São perfeitos."

Um alívio tomou conta de mim.
Eu li tantas coisas ruins sobre gêmeos que eu queria saber se eram realmente perfeitos e não precisariam ir para incubadora. 

Levaram meus bebês e eu já tinha combinado com o meu marido que ele não ia se desgrudar dos bebês, eu morria de medo de trocarem meus filhos!
Eu fiquei ali esperando terminar... Que demora! O bom era que eu ficava olhando para a televisão, via a reação de todos lá no cine parto.
Minha avó Carmen e minha prima Izabelly não me deixaram só e ficaram ali me vendo sendo "fechada".
É tão rápido tirar o bebê e tão demorado para terminar tudo.
Me mantive relaxada e não tinha jeito, tinha que esperar.
A Dra Claudia terminou tudo e me deu um beijo, disse que estava tudo bem e que iriam me arrumar para levar p o quarto.
O Douglas tinha saído junto com os bebês para o berçário e só voltou para ajudar as enfermeiras a me colocarem na maca.
Uma agonia não poder me mexer, eu queria pelo menos levantar o bumbum para ajudar e eu não conseguiaaaaaaaaa.
Relaxei, eles que façam força! Haha 😂
Fui para o quarto, minha tia Elaine estava lá me esperando chegar, eu finalmente estava na cama. 

A enfermeira entrou no quarto e eu fui logo pedindo:
"Me dá um travesseiro?"
"Não pode, tem que ficar sem nenhum travesseiro, tá? Só amanhã."
"Ah é? Será que vou conseguir dormir assim?"
"Vai sim."
 Eu estava exausta! Dormi logo...

Madrugada e uma coceira muito forte no rosto me acorda por diversas vezes, até uma toalha molhada eu usei para coçar o rosto.
Que chatice! Eu queria dormir para acordar bem e aquela coceira não deixava!
Eu tentava mexer minhas pernas e também não conseguia ainda, já tava entrando em pânico né? 
"Gente, será que essa anestesia demora muito p passar? Já não era hora de me mexer?"
Ai, que aflição! 


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

É chegada a hora!

19 de Maio de 2014.
Segunda-feira, 36 semanas de gestação.


"Alô? Mãe, tudo bem? Como vc passou a noite?"
"Oi filha... Bem. E vc?"
"Dormi bem. Tô indo na ginecologista agora de manhã, que horas vc vai sair?"
"Não sei, filha... Daqui a pouco."
"Tá bom, vou onde vc estiver. Ligo p vc assim que sair da consulta."
"Tá bom."
"Beijo, te amo."
"Também, filha."
  
Todas as segundas-feiras eu tinha consulta e essa segunda-feira a minha mãe teria que voltar para o hospital para se internar, lembra que ela saiu p ir no meu chá de fraldas? Então, era a hora de voltar.
Cheguei no consultório da minha médica e liguei p a minha tia.
"Oi tia, como minha mãe tá? Já saíram?"
"Oi.. Ainda não, sua mãe tá enrolando p ir para o hospital. Ela não quer ir, vc já sabe né.."
"Eu sei... Ela precisa mesmo ir?"
"Precisa tomar sangue, ela tá muito fraca. O médico precisa fazer novos exames para saber como estão as plaquetas. Seu pai tá aqui conversando com ela."
"Eu tô esperando ser atendida, qualquer coisa me liga. Eu saio daqui e vou onde ela estiver."
"Tá bom, ela está escovando os dentes. Te aviso."
"Tá, beijo."
"Beijo"

Entrei na sala da médica.
Ela me examinou e mediu minha pressão, como sempre fazia.
"Camilla, quero que você vá para a maternidade agora, assim que sair daqui."
"Oi? Pq?? Algum problema?"
"Sua pressão tá alta e eu quero ficar de olho para ver se vai baixar."
"Tá quanto, Dra?"
"Não muito, quero só ficar de olho."
"Qto?"
"17"
"MEU DEUS!"
"Fica calma, só quero que vc vá agora para a maternidade, saindo daqui e direto p lá! Nada de ir em casa rapidinho pegar bolsa, roupa... Depois o marido pega, Tá bom?"
"Tá bom."
 
Descemos o elevador um pouco tensos e felizes ao mesmo tempo. Ir para a maternidade era um sonho se tornando realidade, mas a pressão alta com 36 semanas não.
Entramos no carro.
Peguei logo o celular e liguei p meu pai.
"Alô?"
"Oi pai, saí da médica agora e minha pressão tá alta. A médica mandou ir direto p maternidade."
"Ah é? Mas tá tudo bem? Vai ser hoje?"
"Acho que não, ela pediu para eu me internar para vigiar a pressão. Minha mãe já saiu?"
"Já, deixei ela e sua tia lá no hospital."
"Pai, não conta nada para a minha mãe, ela vai ficar preocupada e pode piorar."
"Tá bom, não falarei. Vc vai para a maternidade São Franscisco?"
"Já To indo P lá!"
"Tá bom, passo lá depois"
"Tá bom, eu te ligo"
"Tá"
"Beijo"
"Beijo"

Cheguei na maternidade e já estava tudo pronto me esperando. Fiquei na uti deitada com aquela parada no braço medindo a pressão de 5 em 5 minutos. Ninguém podia entrar, mas eu estava super bem e doida para conversar ou fazer alguma coisa!
As enfermeiras deixaram eu ficar com o celular e deixaram meu marido ficar na sala do lado, qualquer coisa, ele entrava. Minha avó por parte de pai chegou lá e ficou sentada dentro da uti de frente para a porta.
Já que a minha avó estava lá e eu estava bem, meu marido aproveitou para ir em casa pegar tudo. Já estava tudo pronto, arrumei quando estava com 30 semanas.

Passei o dia lá, quando deu +ou- 18h uma moça chega se apresentando p mim.
"Oi Camilla, eu sou Fulana. (Não lembro o nome dela.) a instrumentadora da equipe da Dra Claudia. A partir de agora você não pode comer mais nada, tá bom? O parto será hoje."
Um pânico tomou conta de mim!
"Hoje??
Mas a Dra Claudia não disse nada p mim, só que ela ainda vem hoje me ver aqui"
"Ela me mandou ficar em alerta. Pode ser hoje sim. Vamos ver qdo ela chegar. Vim aqui para conversarmos."
"Ai, meu Deus... Eu morro de medo das agulhas."
"Imagina... A anestesia não dói, fica tranquila."
"Ahhhhhhhhh uma agulha daquele tamanho na minha coluna não dói???? Gente, eu quero parto normal sem essa anestesia aí!"
"Mas com 36 semanas e essa pressão alta não pode ser normal não, ainda mais de gêmeos!"
"Pode sim, já vi várias mulheres tendo parto normal de gêmeos."

E fomos conversando...

Liguei pra a Dra Claudia e ela me confirmou que a minha pressão tinha baixado, então não seria hoje o parto. Mas que eu ficaria ainda internada. As enfermeiras se comunicavam o tempo todo pelo celular com a minha médica.

Minha sogra chegou tão eufórica que eu ouvi a voz dela lá de dentro.
"É hoje? Vai ser hoje?"
Minha avó que estava sentada na cadeira em frente a porta viu ela chegando e disse: "não! Não será hoje não."

Liguei para o meu marido avisando que iria para o quarto e ele muito irritado disse:
"Quem falou p minha mãe que seria hoje o parto? Porra, ligou p mim e para um monte de gente dizendo que seria hoje! Eu fiquei nervoso aqui!"
"Ninguém disse que seria hoje, ela tá doida! Chegou aqui toda eufórica perguntando e minha avó disse que não seria hoje não, eu vi e ouvi a minha avó falando com ela."
"Tá bom, tô chegando já! Que susto!"
"Tá. Beijo"
"Beijo"

Fui para o quarto e adivinha? Maior galera indo correndo para o hospital achando que seria o dia do nascimento dos gêmeos.

"Alarme falso! Ainda não, gente!"

Mas valeu as visitas todas, inclusive um amigo que foi na casa dele buscar travesseiros e deixou lá na maternidade comigo. Quem me conhece sabe que eu AMO travesseiros e durmo com no mínimo 4!
E na maternidade tem no máximo 2. 😒
Com toda aquela barriga, só dois não dava!

Eu estava lá naquele quarto e só pensava na minha mãe que estava longe de mim em outro quarto.
Sonhei tanto com ela ali do meu lado...

20 de Maio de 2014.
Terça-feira, 36 semanas e 1 dia de gestação. 

Mudei de quarto, fui para um quarto maior e melhor.
Liguei para a minha tia Cláudia para saber da minha mãe.
"Ela está dormindo direto... Tá quietinha."
"Mas ela tá sentindo dor? Tá bem?"
"Dor sempre sente, né... Mas tá dormindo bem."
"Tia, não diga nada que estou na maternidade, não quero que ela fique preocupada."
"Tá bom, pode deixar."

E eu já imaginava que se ela não pudesse ir para a sala de cirurgia comigo, ela iria ficar sentadinha assistindo pelo cine parto, o importante era ela estar ali.

21h e a Dra Cláudia entra no quarto.

"E aí, Camillinha? Como você tá?"
"Tô bem, aliás estou adorando essa maternidade!"
"Ahh é?" Ela começou a rir.
"Camilla, peguei seu exame de sangue agora e eu não quero mais brincar disso não. 
Os gêmeos nascem hoje!"

Minha pressão ficou oscilando o dia todo e tinha algo no exame de sangue que eu não lembro que ela não gostou e me explicou tudo, mas eu estava tão nervosa que não lembro de nada! Rsrs

"Hoje? Que horas?"
"Daqui a pouco eu mando alguém vir te pegar! Não come nada, tá? A última vez que vc comeu foi que horas?"
"Agora! Acabei te bater um pratão delicioso!"
Ela riu e disse: 
"Tudo bem, vou pedir a enfermeira para vir aqui."
A enfermeira veio e colocou plasil no acesso que tinha na minha mão.

Eu só conseguia pensar que estava horrorosa! Eu tinha marcado para fazer sobrancelha, buço, unhas e cabelo na próxima semana e agora??? 
Fui correndo p o banheiro dar um jeito no cabelo mas logo o maqueiro chegou.
Foi um corre corre!
"Camilla, o rapaz já está te esperando! Você tem que ir logo!"
"Já vou, gente!!"
Estavam comigo três amigas queridas, a Priscila que foi me visitar e acabou ficando, a Natalia que quando soube deu até dor de barriga mas foi correndo para chegar a tempo, a outra Natalia que tinha ido me visitar, foi embora e no meio do caminho teve que voltar! 
Meu marido estava uma pilha de nervoso! Só sabia correr atrás de conseguir o cine parto para aquela hora! 
Antes de sentar na cadeira de rodas, tirei uma foto com elas. 
Pensei: "queria tirar uma com a minha mãe."

E lá ia eu sentada naquela cadeira de rodas... Corredores, elevador... Que nervoso!!!!!
São tantas coisas que passam na cabeça nesse momento, é tão estranho às vezes não conseguir achar palavras para descrever.
Medo, tensão, felicidade, ansiedade no grau máximo, nervosismo, apreensão, medo, alegria, medo...
Cheguei.
Levantei da cadeira e fui tirar a roupa para entrar na sala de cirurgia.

Sala de cirurgia.
Os médicos conversandoooooooooo e eu ali sem saber o que fazer, o que pensar e com muito, muito, muito medo da anestesia!!!
Dra Cláudia veio em minha direção, me abraçou e foi me conduzindo até a cama de cirurgia.
Deitei.
O anestesista veio e se apresentou p mim, muito simpático e um fofo comigo.
Eu disse o quanto eu estava nervosa e com medo da anestesia e ele me acalmou dizendo que eu só iria sentir a primeira agulha que era pequenininha que a grandona eu não sentiria nada.
Mesmo assim eu estava me cagando toda, mas não tinha jeito, não tinha como sair correndo... Meus bebês tinham que sair de algum jeito, né?!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Segurando as lágrimas.

"Filha, quando vc estiver vindo me avisa que  vou descer p falar com vc lá embaixo. Não quero vc dentro de hospital."
"Tá bom, mãe. Já estou indo."

Entrei na recepção do hospital e lá estava ela sentadinha na poltrona.
Sentei na frente dela. 
Ela pegou nas minhas mãos e começou a falar... 
"Amanhã vão tentar uma nova transfusão de sangue e se der certo vamos fazer uma medicação por aqui."
Ela apontou para o peito, onde teria um catéter para não ter que ficar furando os braços o tempo todo, ela já estava bem franquinha.
"Mãe, vai dar certo!"
"Filha, se não der certo eu não vou tentar mais nada, tá bom?
Não quero que vc fique triste, mas eu não quero mais."
"Mãe.."
Eu segurei o meu choro até o final, literalmente eu engoli o meu choro, prendi as minhas lágrimas no meu calabouço e coloquei segurança na porta. Elas não sairão!
Eu não aguentava mais ver a minha mãe daquela maneira, muito magrinha com a barriga enorme... Muito, muito, muito fraca e já não suportava mais vê-la sentindo tanta dor!!! Mas meu Deus do céu, eu quero ela aqui comigo, como vou viver sem ela? 

"Filha, não sei o que vai acontecer então deixa eu falar...
Não seja tão dura com seus filhos.
A mamãe te ama muito e vou te amar p sempre.
Tenha sabedoria com seu marido, faça as coisas com mais leveza e não desista do seu casamento. Seus filhos estão vindo para trazer alegria e você vai ter que amadurecer para cuidar deles. 
Seja organizada com o dinheiro, não saia gastando com tudo.
Eduque seus filhos melhor do que eu eduquei você, filha. E me desculpe todas as vezes que eu falhei com vc.
Não se culpe quando vc falhar com seus filhos, é normal. Seja amiga deles como eu fui sua amiga."
"Mãe, para com isso..."
"Deixa eu falar, Camilla!"
"Tá bom..."
"Eu fiz tudo isso até agora por você, mas eu não aguento mais. Essa será a última vez tá? Não quero você triste. Vou pedir para o médico me liberar para ir no chá de fralda."
"Você vai sim, mãe! Se você não for, eu não faço chá nenhum."
"Vai fazer sim, para com isso."

Entrei no carro e desmoronei.
Minha mãe estava se despedindo de mim e eu não podia fazer nada. Nunca imaginei sentir tanta tristeza...

O dia do chá de fraldas chegou.
Ficou tudo bem simples mas bem bonito.
Arrumei os docinhos e as mesas todas, meus pés mais inchados do que nunca mas eu não podia parar, queria tudo arrumadinho do jeito que eu imaginei.

Minha tia Cláudia fez os cake pops, minha prima Izabelly fez os brigadeiros de colher, eu fiz as lembrancinhas... Todo mundo ajudou!❤️

Minha tia Denise e minha prima Michelle vieram e foi tão bom tê-las ali comigo...
Minha prima é a irmã que eu não tive, moramos longe uma da outra e não nos vemos com frequência. A mãe dela, a tia Denise, também era como irmã para a minha mãe, eram muito amigas e unidas.
E esse amor passou delas para nós, as filhas.

O chá rolando e eu não aguentava mais andar, tirava as fotos e sentava. Meus pés pesavam e doíam muito. Eu estava enorme!
Fiz o chá de fraldas no salão de festas do condomínio onde minha mãe e avó moram, assim era mais fácil minha mãe poder ir. Minha mãe estava com as pernas e os pés muito inchados, não estava conseguindo andar, então pegamos uma cadeira de rodas emprestada p ela ir até o salão.
Chegou lá de vestidinho verde, abatida e com fome! Haha lembro que ela fez cara feia para a sopa de batatas dizendo que não gostava e depois que provou, pediu bis! 
Era tão bom ver a minha mãe comendo com vontade, ela nunca conseguia comer nada então quando ela comia era uma felicidade!

Eu subi para ficar com ela, não conseguia mais ficar lá no salão, eu precisava deitar e colocar meus pés p cima.
Deitei na cama dela com ela e ficamos ali... juntinhas conversando, rindo e comendo! 
Eu e ela com os pés p cima.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Tanto amor e tanta dor.

Os berços, o guarda roupa e a cômoda chegaram!
Está tudo tão lindo que quero morar dentro do quarto deles!
O tema do quarto é Realeza. 
Tem uma coroa para cada um com o nome embaixo, tem ursinha princesa de coroa e ursinho príncipe de coroa também. Tem tapete com dois ursinhos e cortina branquinha com ursinho e ursinha pendurados.
Tudo em tons pastéis, confortável e tranquilo.
Um sonho... Pena a minha mãe não poder ver pessoalmente, mostrava tudo pelo Skype p ela, cada detalhe novo eu corria para o iPad, ligava o Skype e mostrava p ela. 
Eu já sentia uma saudade enorme da minha mãe, ela já não era a mesma. Passava a maior parte do tempo no quarto, dormindo.

Eu morava em uma casa longe de toda a minha família e todos estavam com medo de eu ficar sozinha em casa, então passei a descer todos os dias com meu marido de manhã para passar o dia na casa da minha tia Elaine, a irmã do meu pai. Eu já não conseguia andar direito, ficar em pé era muito dolorido e dormir também não estava fácil.
Então eu ficava lá sentadinha em uma poltrona com os pés no puff, tinha comida fresquinha todos os dias e eu conseguia ficar tranquila lá, às vezes eu dormia, outras só ficava vendo TV, filmes e na internet... Pesquisando tudo para o chá de fraldas!

Lembro de sentir a preocupação de todos comigo em relação à minha mãe, meu marido chegou a ligar para a minha médica contando a delicada situação da minha mãe e que eu não estava preparada para nenhum tipo de "pior" acontecer.
Muitas vezes eu preferia não ver a minha mãe, ela estava sempre dormindo e eu não queria que ela acordasse, dormindo eu sabia que ela estava bem e sem sentir dor. 
Fui algumas vezes passar o dia na casa da minha mãe mas eu não me sentia bem lá, era sempre um clima tão triste e ela dormia o dia todo, tinha dias em que ela nem comia... E eu ficava tão desesperada com aquilo que minha vontade era de gritar!
"Mãe, acorda!!! Vem ficar aqui comigo!"

Minha tia Claudia, a irmã da minha mãe estava morando com ela já tinha um tempo e estava cuidando dela por mim, eu não conseguia fazer nada pela minha mãe... Eu não aguentava nem ficar em pé!
"Como ela passou a noite, tia?"
"Não muito bem... Ela Vomitou sangue."
"Muito?"
"Um pouco..."
E eu sentia que a minha tia tentava não contar muito, eu sentia que esse "um pouco" era na verdade "muito".
E isso era o mesmo que enfiar uma faca no meu peito. Que dor! Que dor!!!!
....
......
.........
Eu respirava fundo e pensava "até os gêmeos nascerem, nós vamos conseguir."
Minha mãe teve que ser internada para tomar sangue.
Enquanto eu descobria uma família que eu amava e que sempre tive mas nunca foi tão presente na minha vida, sentia que estava prestes a perder a minha vida, o meu tudo, a minha mãe.
Essa família que eu descobria era a minha tia Elaine, meu tio Paulo, Meus primos Izabelly e Guilherme. Eles me ajudaram muito me recebendo em sua casa todos os dias e me ajudando a esquecer um pouco tudo o que estava acontecendo. 
Não sei exatamente o motivo e nem em qual momento nos distanciamos, mas a minha gravidez nos trouxe de volta para a intimidade de família.

"Ela vai tomar sangue e vai melhorar."
"Vai sim."
Minha tia Claudia sempre foi uma tiazona p mim e estava sendo uma irmã muito forte e guerreira para a minha mãe. Ficou com ela no hospital revezando com a tia Elaine, a minha queria e tão amada tia Denise e outras pessoas que ajudavam.

E lá ia eu, ver a minha mãe no hospital com uma barriga enorme sem conseguir andar direito e o coração cheio de amor e saudade.