quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

É chegada a hora!

19 de Maio de 2014.
Segunda-feira, 36 semanas de gestação.


"Alô? Mãe, tudo bem? Como vc passou a noite?"
"Oi filha... Bem. E vc?"
"Dormi bem. Tô indo na ginecologista agora de manhã, que horas vc vai sair?"
"Não sei, filha... Daqui a pouco."
"Tá bom, vou onde vc estiver. Ligo p vc assim que sair da consulta."
"Tá bom."
"Beijo, te amo."
"Também, filha."
  
Todas as segundas-feiras eu tinha consulta e essa segunda-feira a minha mãe teria que voltar para o hospital para se internar, lembra que ela saiu p ir no meu chá de fraldas? Então, era a hora de voltar.
Cheguei no consultório da minha médica e liguei p a minha tia.
"Oi tia, como minha mãe tá? Já saíram?"
"Oi.. Ainda não, sua mãe tá enrolando p ir para o hospital. Ela não quer ir, vc já sabe né.."
"Eu sei... Ela precisa mesmo ir?"
"Precisa tomar sangue, ela tá muito fraca. O médico precisa fazer novos exames para saber como estão as plaquetas. Seu pai tá aqui conversando com ela."
"Eu tô esperando ser atendida, qualquer coisa me liga. Eu saio daqui e vou onde ela estiver."
"Tá bom, ela está escovando os dentes. Te aviso."
"Tá, beijo."
"Beijo"

Entrei na sala da médica.
Ela me examinou e mediu minha pressão, como sempre fazia.
"Camilla, quero que você vá para a maternidade agora, assim que sair daqui."
"Oi? Pq?? Algum problema?"
"Sua pressão tá alta e eu quero ficar de olho para ver se vai baixar."
"Tá quanto, Dra?"
"Não muito, quero só ficar de olho."
"Qto?"
"17"
"MEU DEUS!"
"Fica calma, só quero que vc vá agora para a maternidade, saindo daqui e direto p lá! Nada de ir em casa rapidinho pegar bolsa, roupa... Depois o marido pega, Tá bom?"
"Tá bom."
 
Descemos o elevador um pouco tensos e felizes ao mesmo tempo. Ir para a maternidade era um sonho se tornando realidade, mas a pressão alta com 36 semanas não.
Entramos no carro.
Peguei logo o celular e liguei p meu pai.
"Alô?"
"Oi pai, saí da médica agora e minha pressão tá alta. A médica mandou ir direto p maternidade."
"Ah é? Mas tá tudo bem? Vai ser hoje?"
"Acho que não, ela pediu para eu me internar para vigiar a pressão. Minha mãe já saiu?"
"Já, deixei ela e sua tia lá no hospital."
"Pai, não conta nada para a minha mãe, ela vai ficar preocupada e pode piorar."
"Tá bom, não falarei. Vc vai para a maternidade São Franscisco?"
"Já To indo P lá!"
"Tá bom, passo lá depois"
"Tá bom, eu te ligo"
"Tá"
"Beijo"
"Beijo"

Cheguei na maternidade e já estava tudo pronto me esperando. Fiquei na uti deitada com aquela parada no braço medindo a pressão de 5 em 5 minutos. Ninguém podia entrar, mas eu estava super bem e doida para conversar ou fazer alguma coisa!
As enfermeiras deixaram eu ficar com o celular e deixaram meu marido ficar na sala do lado, qualquer coisa, ele entrava. Minha avó por parte de pai chegou lá e ficou sentada dentro da uti de frente para a porta.
Já que a minha avó estava lá e eu estava bem, meu marido aproveitou para ir em casa pegar tudo. Já estava tudo pronto, arrumei quando estava com 30 semanas.

Passei o dia lá, quando deu +ou- 18h uma moça chega se apresentando p mim.
"Oi Camilla, eu sou Fulana. (Não lembro o nome dela.) a instrumentadora da equipe da Dra Claudia. A partir de agora você não pode comer mais nada, tá bom? O parto será hoje."
Um pânico tomou conta de mim!
"Hoje??
Mas a Dra Claudia não disse nada p mim, só que ela ainda vem hoje me ver aqui"
"Ela me mandou ficar em alerta. Pode ser hoje sim. Vamos ver qdo ela chegar. Vim aqui para conversarmos."
"Ai, meu Deus... Eu morro de medo das agulhas."
"Imagina... A anestesia não dói, fica tranquila."
"Ahhhhhhhhh uma agulha daquele tamanho na minha coluna não dói???? Gente, eu quero parto normal sem essa anestesia aí!"
"Mas com 36 semanas e essa pressão alta não pode ser normal não, ainda mais de gêmeos!"
"Pode sim, já vi várias mulheres tendo parto normal de gêmeos."

E fomos conversando...

Liguei pra a Dra Claudia e ela me confirmou que a minha pressão tinha baixado, então não seria hoje o parto. Mas que eu ficaria ainda internada. As enfermeiras se comunicavam o tempo todo pelo celular com a minha médica.

Minha sogra chegou tão eufórica que eu ouvi a voz dela lá de dentro.
"É hoje? Vai ser hoje?"
Minha avó que estava sentada na cadeira em frente a porta viu ela chegando e disse: "não! Não será hoje não."

Liguei para o meu marido avisando que iria para o quarto e ele muito irritado disse:
"Quem falou p minha mãe que seria hoje o parto? Porra, ligou p mim e para um monte de gente dizendo que seria hoje! Eu fiquei nervoso aqui!"
"Ninguém disse que seria hoje, ela tá doida! Chegou aqui toda eufórica perguntando e minha avó disse que não seria hoje não, eu vi e ouvi a minha avó falando com ela."
"Tá bom, tô chegando já! Que susto!"
"Tá. Beijo"
"Beijo"

Fui para o quarto e adivinha? Maior galera indo correndo para o hospital achando que seria o dia do nascimento dos gêmeos.

"Alarme falso! Ainda não, gente!"

Mas valeu as visitas todas, inclusive um amigo que foi na casa dele buscar travesseiros e deixou lá na maternidade comigo. Quem me conhece sabe que eu AMO travesseiros e durmo com no mínimo 4!
E na maternidade tem no máximo 2. 😒
Com toda aquela barriga, só dois não dava!

Eu estava lá naquele quarto e só pensava na minha mãe que estava longe de mim em outro quarto.
Sonhei tanto com ela ali do meu lado...

20 de Maio de 2014.
Terça-feira, 36 semanas e 1 dia de gestação. 

Mudei de quarto, fui para um quarto maior e melhor.
Liguei para a minha tia Cláudia para saber da minha mãe.
"Ela está dormindo direto... Tá quietinha."
"Mas ela tá sentindo dor? Tá bem?"
"Dor sempre sente, né... Mas tá dormindo bem."
"Tia, não diga nada que estou na maternidade, não quero que ela fique preocupada."
"Tá bom, pode deixar."

E eu já imaginava que se ela não pudesse ir para a sala de cirurgia comigo, ela iria ficar sentadinha assistindo pelo cine parto, o importante era ela estar ali.

21h e a Dra Cláudia entra no quarto.

"E aí, Camillinha? Como você tá?"
"Tô bem, aliás estou adorando essa maternidade!"
"Ahh é?" Ela começou a rir.
"Camilla, peguei seu exame de sangue agora e eu não quero mais brincar disso não. 
Os gêmeos nascem hoje!"

Minha pressão ficou oscilando o dia todo e tinha algo no exame de sangue que eu não lembro que ela não gostou e me explicou tudo, mas eu estava tão nervosa que não lembro de nada! Rsrs

"Hoje? Que horas?"
"Daqui a pouco eu mando alguém vir te pegar! Não come nada, tá? A última vez que vc comeu foi que horas?"
"Agora! Acabei te bater um pratão delicioso!"
Ela riu e disse: 
"Tudo bem, vou pedir a enfermeira para vir aqui."
A enfermeira veio e colocou plasil no acesso que tinha na minha mão.

Eu só conseguia pensar que estava horrorosa! Eu tinha marcado para fazer sobrancelha, buço, unhas e cabelo na próxima semana e agora??? 
Fui correndo p o banheiro dar um jeito no cabelo mas logo o maqueiro chegou.
Foi um corre corre!
"Camilla, o rapaz já está te esperando! Você tem que ir logo!"
"Já vou, gente!!"
Estavam comigo três amigas queridas, a Priscila que foi me visitar e acabou ficando, a Natalia que quando soube deu até dor de barriga mas foi correndo para chegar a tempo, a outra Natalia que tinha ido me visitar, foi embora e no meio do caminho teve que voltar! 
Meu marido estava uma pilha de nervoso! Só sabia correr atrás de conseguir o cine parto para aquela hora! 
Antes de sentar na cadeira de rodas, tirei uma foto com elas. 
Pensei: "queria tirar uma com a minha mãe."

E lá ia eu sentada naquela cadeira de rodas... Corredores, elevador... Que nervoso!!!!!
São tantas coisas que passam na cabeça nesse momento, é tão estranho às vezes não conseguir achar palavras para descrever.
Medo, tensão, felicidade, ansiedade no grau máximo, nervosismo, apreensão, medo, alegria, medo...
Cheguei.
Levantei da cadeira e fui tirar a roupa para entrar na sala de cirurgia.

Sala de cirurgia.
Os médicos conversandoooooooooo e eu ali sem saber o que fazer, o que pensar e com muito, muito, muito medo da anestesia!!!
Dra Cláudia veio em minha direção, me abraçou e foi me conduzindo até a cama de cirurgia.
Deitei.
O anestesista veio e se apresentou p mim, muito simpático e um fofo comigo.
Eu disse o quanto eu estava nervosa e com medo da anestesia e ele me acalmou dizendo que eu só iria sentir a primeira agulha que era pequenininha que a grandona eu não sentiria nada.
Mesmo assim eu estava me cagando toda, mas não tinha jeito, não tinha como sair correndo... Meus bebês tinham que sair de algum jeito, né?!

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