quarta-feira, 16 de março de 2016

O Pesadelo!

Peguei o aparelho e medi a pressão novamente.
18.
"Meu Deus, Douglas! 18!!!! Eu preciso ser atendida urgente!"
A porta de um dos consultórios abre e a médica é a irmã de uma amiga.
"Camilla? O que vc está fazendo aqui?"
"Mariana, vim visitar a minha filha que está na uti e a minha pressão não para de subir, medi agora e está 18! Não posso esperar a ginecologista chegar!"
"Peraí que vou te encaminhar para a emergência agora."

Me levaram lá p dentro, fiquei em uma das baias deitada e eu só via um enfermeiro atrás do outro vindo me medicar. 
Era remédio p tomar, remédio embaixo da língua, outro no céu da boca...
Eletrodos no meu peito e o aparelho de pressão no meu braço medindo de 2 em 2 minutos.
Um "vuco vuco" só!!!
Meu marido atordoado sem saber o que fazer e eu não acreditava que aquilo estava acontecendo. Eu não sentia nada, nem dor de cabeça! Como poderia estar ali?

O Douglas ligou para o meu pai e explicou o que estava acontecendo, não demorou muito o meu pai já estava ali na baia também.
Os dois parados na minha frente olhando os aparelhos que estavam em cima da minha cabeça e eu deitada querendo ir embora o mais rápido possível. 
"Vem cá, vcs deram tanto remédio p ela, vai baixar essa pressão não??"
"O senhor é o pai dela?"
"Sou."
"Vai baixar sim."
"Tem certeza??"
O aparelho apita!
PI PI PI PI PI PI PI PI PI PI PI PI
Me desespero ao ver a cara dos dois.
"O que houve, gente??"

Meu pai visivelmente irritado e nervoso solta: 
"Porra! A pressão dela está 20!!!"
A médica calmamente olha para o meu pai e responde: 
"Calma, vai baixar."
O pânico toma conta de mim.
"20?????? EU NÃO QUERO MORRER!!!"
Meu marido visivelmente nervoso e confuso tenta me acalmar.
"Não vai morrer não, para de falar isso."
"Gente, vcs tem que me tirar desse hospital. Aqui é horrível! Odeio esse hospital. Lembra de tudo o que já ouvimos daqui? Me levem p o Santa Martha!"
"Calma, não podemos tirar vc daqui agora. A sua pressão tem que baixar."

Eis que a tal ginecologista de plantão chega p me ver...
"Pelo amor de Deus, Douglas!!! Me tira daqui! Olha quem é a ginecologista!!!"
"Não acredito!"

Era a médica que uma vez qdo estava grávida fui até a maternidade pq estava com muita cólica(era só gases) e queria saber se estava tudo bem e ela disse que seria bom fazer uma ultra, mas que ela não sabia fazer. Oi? 
Não tinha firmeza em nada do que me falava. E sim, era novinha.

"Oi Camilla, já te medicaram, né! Eu não pude te atender antes Pq estava fazendo um parto, mas agora estou trocando o plantão. A médica que ficará no plantão agora já vem te ver."
"Graças a Deus!"

De repente vejo duas meninas de cabelos escovados, super maquiadas e com os óculos maiores do que o rosto vindo em minha direção.
"Oi, nós somos as ginecologistas de plantão e vimos o seu caso agora. Vc vai precisar tomar um remédio na veia e vc vai ter que ir para uti."
"O que???? Eu não vou para uti não, amada!"
"Tem que ir, ok?"
"Ok?? Não tem nada ok aqui. Que remédio é esse que não posso tomar no quarto normal?"
"É um remédio que precisa de acompanhamento e só na uti vamos poder te monitorar."
"Ahhhh não! Eu não vou não!"

Peguei o celular e mandei WhatsApp para a Dra Claudia. Ela pediu para que eu ficasse, pois ela não estava a par do que estava acontecendo realmente. Que ela iria pela manhã no hospital me ver.

Meu pai estava tão nervoso quanto eu. Ou mais. Não sei.
"Porra, isso aqui é hospital ou salão de beleza? Cheias de maquiagem e cheias de pose e não explicam nada direito p gente."

Meu Deus, eu não acredito que terei que ficar nesse hospital horrível com essas médicas que não sabem me explicar nada!!!
Minha mãe morreu, minha filha tá na uti, meu filho em casa sem a mãe dele e eu na uti!!!! 
Isso não pode estar acontecendo!!!!

"Só entro nessa uti com o meu celular e o carregador."
"Não pode usar celular lá, amor"
"Douglas, eu escondo e entro! Mas sem o celular não adianta! Não vou ficar lá entregue a sorte, qualquer coisa estranha eu ligo p alguém e saio correndo de lá!"
"Vou lá ver a uti."

Enquanto meu marido foi ver onde era a uti e se tinha como falar com alguém de lá para eu levar o celular eu estava sendo furada nos dois braços!!!
O enfermeiro não achava a minha veia e ficou me furando. Eu não aguentava mais aquilo!
Eu sinto MUITA DOR e ODEIO agulhas!!!
Qdo o enfermeiro ia tentar novamente eu dei um grito!
"CHEGA! Vc já me machucou bastante, não acha??"
"Não consigo achar uma veia."
"Então chame um enfermeiro que seja bom nisso."
"Mas eu sou bom."
"Se fosse bom já teria achado."

Ele chamou uma enfermeira e ela super simpática veio e tentou ver um local onde ainda não tinha sido furado... Ela conseguiu de primeira!
Eu já estava com as duas mãos furadas por 2x e o braço esquerdo por 2x também.
Ela colocou o acesso no meu braço direito, onde fazemos exame de sangue.
Que dor! Que agonia! Que raiva de ter que fazer aquilo!

Entrando na uti o Douglas me dá uma boa notícia.
"A enfermeira chefe da uti é uma colega minha do tempo da escola, falei com ela e ela deixou vc ficar com o celular. Vc só tem que deixar no silencioso ou p vibrar."
"Tá bom."

Um quadrado branco. Uma cama desconfortável cheia de aparelhos em volta. Uma televisão pequena na parede de frente para a cama. 
Duas janelas bem pequenas no cantinho da parede, quase no teto e fechadas.

"Não acredito que ficarei aqui sozinha..."
"Amanhã vc já poderá ir para o quarto."

A duas médicas disseram que eu ficaria só por uma noite, era só para monitorar o tal remédio que eu iria tomar e que iria para o quarto logo de manhã.

Fecho os olhos para enfim, pelo menos, tentar dormir. 
"Vou dormir, a noite vai passar e amanhã eu sairei daqui."
Estou quietinha... silêncio total ... Até que de repente um homem começa a gritar:
"Ahhhhhhh ai! Ahhhhhhhhhhh ai ahhhhhhhhhh"

Abro os olhos APAVORADA e começo a apertar o botão p chamar a enfermeira.
"O que houve? Levei um susto com esse homem gritando."
"Ahhh ele grita muito, sente muitas dores."

Meu Deus!! Eu estava na uti! Onde tem varias pessoas doentes, outras quase morrendo e eu ali só para tomar um remédio! 
Eu quero ir embora!

Nenhum comentário:

Postar um comentário