quinta-feira, 24 de março de 2016

Mais uma noite.

Acordei várias vezes durante a noite, nunca sabia que horas eram, se já tinha amanhecido ou não... Que tristeza estar ali!
Finalmente amanheceu! 
O café da manhã veio.
Um pão embrulhado no papel filme.
Leite morno.
Café quente.
Um pacotinho com 3 biscoitos Maria. 
Aquela manteiga pequena quadradinha e uma geléia.
Uma faca e uma colher.
Um guardanapo. Sim, somente uma única folha de guardanapo.

Tomei o leite, comi o pão com manteiga e guardei o biscoito. 
Era bem ruim mexer o braço direito, pois o acesso estava bem na dobra do braço, fiz TUDO com o braço esquerdo. Sei lá como eu consegui, mas fiz.

De repente entra uma luz linda pela porta, era a minha querida médica, Dra Claudia. 
Lembra que ela tinha dito que iria lá me ver pela manhã? Ela foi!
Pedi p ela me tirar dalí, mas ela não podia fazer muita coisa.
Ela conversou com os médicos de plantão e assim que o remédio acabasse eu ia para o quarto. Viu meus pontos e pediu para que ninguém mexesse.

Eu estava com os peitos enormes e vazando leite, morrendo de medo de empedrar tudo.
Tirei todo o leite com a bombinha e lembra que eu quase não tinha leite?
Pois é! O leite veio e veio com tudo!!!
Eu conversei com o médico e a enfermeira chefe se poderiam levar o meu leite para a minha filhinha que estava na uti daquele mesmo hospital, mas não podia.
Que tristeza era encher aquela mamadeira até a boca e jogar tudo na pia. Eu sentia muita tristeza em ter que fazer isso, doía tanto não poder dar para os meus filhos aquele leite, o meu leite.

Duas enfermeiras vieram para me dar "banho" e eu disse não.
"Não precisa não, vou para o quarto já já."
"Mas vc não quer tomar banho primeiro?"
"Não, banho p mim é de pé no chuveiro e só lá no quarto eu poderei fazer isso. Muito obrigada, mas podem me deixar assim."
"Então tá bom."

Trocou o plantão e o médico novo veio falar comigo.
"Olha, sua pressão não baixou, então vc não poderá ir para o quarto."
"Oi???"
"Mais uma noite, tá bom? Fica calma p sua pressão baixar."
"Dr, é impossível ficar calma em um lugar como esse. Sinceramente, isso aqui mata as pessoas! Ninguém vê a luz do sol, não sente o vento no rosto, não olha para o céu... Não pode levantar nem parar ir ao banheiro, nem para tomar um banho! Isso aqui mata!"
"Mas isso aqui é uma uti."
"Eu sei que tem pessoas aqui que realmente precisam estar aqui, pois não aguentam nem se levantar. Mas eu não estou doente! A minha pressão está alta e tomando remédio ela vai baixar. Eu tenho 2 recém-nascidos precisando de mim, um deles está na uti e minha mãe morreu na noite em que tive meus bebês. Agora, eu realmente não acho que ficando aqui a minha pressão vai baixar rápido."
"Vamos esperar mais um pouco. Deixa eu ver esses pontos."
Ele foi logo colocando a mão para tirar o curativo.
Coloquei a minha mão e disse:
"Não! Não tira! Minha médica já esteve aqui hoje e pediu para que ninguém mexesse."
"Tudo bem então."

Eu bebo muita água e toda hora eu tinha que ficar pedindo um copo de água para as enfermeiras. E elas vinham com uma cara mais feia do que a outra. 
Eu nunca vi tanto mal humor e descaso...
Eu tinha que ficar tentando ser simpática para que elas gostassem de mim e cuidassem bem de mim. Isso é o fim! 

Veio a nutricionista me perguntar do que gosto e o que quero comer.

"Gosta de legumes??"
"Sim."
"Come macarrão?"
"Sim."
"Do que vc não gosta?"
"Só não gosto e não como carne vermelha."
"Tá bom! Vc toma suco?"
"Tomo, qualquer um."
"Vou mandar um macarrão gostoso com frango p vc, tá bom?"
"Tá bom, só não posso comer sal."
"Ok"

....
.....
.......
O almoço chegou.
O enfermeiro deixou na mesa que estava distante de mim e saiu.
Eu nem acreditei naquilo, eu não conseguia levantar por causa das paradas no meu braço, sentei e estiquei o braço esquerdo e puxei a mesa.
Tirei a tampa e ...carne vermelha!!!
Chamei a enfermeira.
"Eu acho que veio errado p mim, eu não como carne vermelha e eu disse isso p nutricionista."
"Só tem essa."
Comi a comida e deixei a carne.
Estava fria, bem ruim.
Tomei o suco de uva.

Faziam exame de sangue mais de 1x em mim. Eu não tava aguentando mais! Fora as agulhadas no dedo para medir glicose.
Eu tava de saco cheio!

Hora da visita e meu marido já estava lá esperando para entrar pois tinha ido ver a Mila na uti.
"O médico disse que a Mila está bem e que deve receber alta amanhã."
"Ai, meu Deus! Eu preciso sair daqui também para ver meus bebês!"
"Amanhã vc sai daqui."
"Saio mesmo, tiro tudo isso aqui e vou!"
"Calma, vai dar tudo certo."

....
......
.........
Lanche foi o mesmo do café.
Janta foi bem ruim também e novamente fria.

Mais uma noite, meu Deus... 

quarta-feira, 16 de março de 2016

O Pesadelo!

Peguei o aparelho e medi a pressão novamente.
18.
"Meu Deus, Douglas! 18!!!! Eu preciso ser atendida urgente!"
A porta de um dos consultórios abre e a médica é a irmã de uma amiga.
"Camilla? O que vc está fazendo aqui?"
"Mariana, vim visitar a minha filha que está na uti e a minha pressão não para de subir, medi agora e está 18! Não posso esperar a ginecologista chegar!"
"Peraí que vou te encaminhar para a emergência agora."

Me levaram lá p dentro, fiquei em uma das baias deitada e eu só via um enfermeiro atrás do outro vindo me medicar. 
Era remédio p tomar, remédio embaixo da língua, outro no céu da boca...
Eletrodos no meu peito e o aparelho de pressão no meu braço medindo de 2 em 2 minutos.
Um "vuco vuco" só!!!
Meu marido atordoado sem saber o que fazer e eu não acreditava que aquilo estava acontecendo. Eu não sentia nada, nem dor de cabeça! Como poderia estar ali?

O Douglas ligou para o meu pai e explicou o que estava acontecendo, não demorou muito o meu pai já estava ali na baia também.
Os dois parados na minha frente olhando os aparelhos que estavam em cima da minha cabeça e eu deitada querendo ir embora o mais rápido possível. 
"Vem cá, vcs deram tanto remédio p ela, vai baixar essa pressão não??"
"O senhor é o pai dela?"
"Sou."
"Vai baixar sim."
"Tem certeza??"
O aparelho apita!
PI PI PI PI PI PI PI PI PI PI PI PI
Me desespero ao ver a cara dos dois.
"O que houve, gente??"

Meu pai visivelmente irritado e nervoso solta: 
"Porra! A pressão dela está 20!!!"
A médica calmamente olha para o meu pai e responde: 
"Calma, vai baixar."
O pânico toma conta de mim.
"20?????? EU NÃO QUERO MORRER!!!"
Meu marido visivelmente nervoso e confuso tenta me acalmar.
"Não vai morrer não, para de falar isso."
"Gente, vcs tem que me tirar desse hospital. Aqui é horrível! Odeio esse hospital. Lembra de tudo o que já ouvimos daqui? Me levem p o Santa Martha!"
"Calma, não podemos tirar vc daqui agora. A sua pressão tem que baixar."

Eis que a tal ginecologista de plantão chega p me ver...
"Pelo amor de Deus, Douglas!!! Me tira daqui! Olha quem é a ginecologista!!!"
"Não acredito!"

Era a médica que uma vez qdo estava grávida fui até a maternidade pq estava com muita cólica(era só gases) e queria saber se estava tudo bem e ela disse que seria bom fazer uma ultra, mas que ela não sabia fazer. Oi? 
Não tinha firmeza em nada do que me falava. E sim, era novinha.

"Oi Camilla, já te medicaram, né! Eu não pude te atender antes Pq estava fazendo um parto, mas agora estou trocando o plantão. A médica que ficará no plantão agora já vem te ver."
"Graças a Deus!"

De repente vejo duas meninas de cabelos escovados, super maquiadas e com os óculos maiores do que o rosto vindo em minha direção.
"Oi, nós somos as ginecologistas de plantão e vimos o seu caso agora. Vc vai precisar tomar um remédio na veia e vc vai ter que ir para uti."
"O que???? Eu não vou para uti não, amada!"
"Tem que ir, ok?"
"Ok?? Não tem nada ok aqui. Que remédio é esse que não posso tomar no quarto normal?"
"É um remédio que precisa de acompanhamento e só na uti vamos poder te monitorar."
"Ahhhh não! Eu não vou não!"

Peguei o celular e mandei WhatsApp para a Dra Claudia. Ela pediu para que eu ficasse, pois ela não estava a par do que estava acontecendo realmente. Que ela iria pela manhã no hospital me ver.

Meu pai estava tão nervoso quanto eu. Ou mais. Não sei.
"Porra, isso aqui é hospital ou salão de beleza? Cheias de maquiagem e cheias de pose e não explicam nada direito p gente."

Meu Deus, eu não acredito que terei que ficar nesse hospital horrível com essas médicas que não sabem me explicar nada!!!
Minha mãe morreu, minha filha tá na uti, meu filho em casa sem a mãe dele e eu na uti!!!! 
Isso não pode estar acontecendo!!!!

"Só entro nessa uti com o meu celular e o carregador."
"Não pode usar celular lá, amor"
"Douglas, eu escondo e entro! Mas sem o celular não adianta! Não vou ficar lá entregue a sorte, qualquer coisa estranha eu ligo p alguém e saio correndo de lá!"
"Vou lá ver a uti."

Enquanto meu marido foi ver onde era a uti e se tinha como falar com alguém de lá para eu levar o celular eu estava sendo furada nos dois braços!!!
O enfermeiro não achava a minha veia e ficou me furando. Eu não aguentava mais aquilo!
Eu sinto MUITA DOR e ODEIO agulhas!!!
Qdo o enfermeiro ia tentar novamente eu dei um grito!
"CHEGA! Vc já me machucou bastante, não acha??"
"Não consigo achar uma veia."
"Então chame um enfermeiro que seja bom nisso."
"Mas eu sou bom."
"Se fosse bom já teria achado."

Ele chamou uma enfermeira e ela super simpática veio e tentou ver um local onde ainda não tinha sido furado... Ela conseguiu de primeira!
Eu já estava com as duas mãos furadas por 2x e o braço esquerdo por 2x também.
Ela colocou o acesso no meu braço direito, onde fazemos exame de sangue.
Que dor! Que agonia! Que raiva de ter que fazer aquilo!

Entrando na uti o Douglas me dá uma boa notícia.
"A enfermeira chefe da uti é uma colega minha do tempo da escola, falei com ela e ela deixou vc ficar com o celular. Vc só tem que deixar no silencioso ou p vibrar."
"Tá bom."

Um quadrado branco. Uma cama desconfortável cheia de aparelhos em volta. Uma televisão pequena na parede de frente para a cama. 
Duas janelas bem pequenas no cantinho da parede, quase no teto e fechadas.

"Não acredito que ficarei aqui sozinha..."
"Amanhã vc já poderá ir para o quarto."

A duas médicas disseram que eu ficaria só por uma noite, era só para monitorar o tal remédio que eu iria tomar e que iria para o quarto logo de manhã.

Fecho os olhos para enfim, pelo menos, tentar dormir. 
"Vou dormir, a noite vai passar e amanhã eu sairei daqui."
Estou quietinha... silêncio total ... Até que de repente um homem começa a gritar:
"Ahhhhhhh ai! Ahhhhhhhhhhh ai ahhhhhhhhhh"

Abro os olhos APAVORADA e começo a apertar o botão p chamar a enfermeira.
"O que houve? Levei um susto com esse homem gritando."
"Ahhh ele grita muito, sente muitas dores."

Meu Deus!! Eu estava na uti! Onde tem varias pessoas doentes, outras quase morrendo e eu ali só para tomar um remédio! 
Eu quero ir embora!

segunda-feira, 14 de março de 2016

A escuridão do dia.

Entreguei minha filhinha nos braços da enfermeira com meu coração sangrando.
Eu só pensava:
"Não Deus, eu não aceito perder a minha filha."
"Será que vão cuidar bem dela?"
"Será que vão acolher a minha filhinha quando ela chorar?"
"Será que vão dar a mamadeira na hora certa?"
"Será que vão limpar direitinho quando ela fizer coco?"
 
Estava sentada na sala que tem antes de entrar na uti neo, lá tem escaninhos com cadeados para os pais colocarem suas coisas, não pode entrar com nada dentro da uti neo. Eu estava esperando me chamarem para ver como a minha filhinha iria ficar... Que espera terrivel! 
De repente eu ouço um choro.

"Douglas, é a minha filhinha que tá chorando!"
"Não é não, amor. Tem muitos bebês lá dentro, pode ser qualquer bebê."
"Podem ter mil bebês que eu vou reconhecer o choro dos meus."
"Vc vai entrar e vai ver que não é a Mila"

A enfermeira abriu a porta e nos chamou.
Lavei as mãos, passei o álcool, coloquei a roupa e entrei.
Uma sala enorme com muitas incubadoras, muitos bebês com muitos tubos, fios e coisas que nem sei o nome e outros só na incubadora como se fosse um berço, usando suas roupinhas e cobertores. 

O choro ...

Virei a cabeça para o lado direito, vi minha filhinha de longe, dentro daquela incubadora fechada com uma luz azul...
Ela estava dentro de uma caixa transparente, só de fraldinha...
Que aperto no coração, meu Deus!
E sim, era a minha filhinha quem estava chorando, eu sabia!
Fui até ela e a peguei no colo...
Fiquei ali olhando, olhando, olhando...
"Ela é linda!"
"É sim, amor..."

Tempo...
Tempo....
Tempo.....
Eu só queria ficar ali, com ela no meu colo.

"Amor, temos que ir. A Mila precisa ficar e quanto mais tempo ela ficar na luz mais rápido ela vai p casa."
"Eu sei... Mas é tão difícil deixá-la aqui."
Eu estava tão fraca, me sentia tão fraca...
Deixei a minha filhinha lá, dormindo e fui embora p casa ver meu outro bebezinho que também precisava de mim.
Passei a madrugada chorando... Eu acordava de 3 em 3 horas para dar mamar para o João Pedro e chorava muito enquanto ele mamava. A minha filha não estava ali comigo, como será que ela está? Com fome? Com cólica? Será de deram a mamadeira p ela na hora certa? Será que ela fez coco e ninguém limpou? Será que ela tá chorando e ninguém tá indo lá consolá-la? 
Cadê a minha mãe?

Chorei...
Chorei....
Chorei.....

Amanheceu e eu aproveitei que o João Pedro estava dormindo para medir a minha pressão. 
15/8
Liguei para a Dra Claudia e ela mandou eu aproveitar que ia no hospital ver a Mila e me consultar com a ginecologista de plantão e pedir um exame de urina.
João Pedro mamou, arrotou e dormiu. 
Eu e meu marido fomos para o hospital ver a nossa Mila.
Saí do carro e comecei a subir a rampa do hospital.... Me dei conta de como eu estava.
Vestido longo preto, casaco preto, sandálias rasteiras e a bolsa da maternidade bege com marrom.
Cabelos presos, sobrancelhas por fazer e buço também... Eu estava horrorosa!
Mas os meus dias também não estavam diferentes, né...
Eu percebi como a minha aparência estava parecida com o meu emocional por dentro. 
"Deus, isso tudo vai passar. Sei que vai."
Uma dor tão grande eu carregava, um peso enorme...
Eu chorava o tempo todo, até quando eu não queria.

Guardei a minha bolsa no escaninho, lavei as mãos, passei álcool, coloquei a roupa e entrei na uti.
Lá estava ela, dormindo... Barriguinha p baixo, encolhida... Só de fraldinha.
Encontramos com o médico que estava cuidando dela e ele foi super atencioso e disse que estava tudo bem, que a Mila iria ficar no máximo mais um dia. 
A enfermeira abriu a incubadora e eu a peguei.
Ela estava com um tipo de óculos para não pegar a luz nos olhinhos.
Tão pequenininha, aqueles olhinhos tão pequenininhos... 
Meu marido chamou a enfermeira.
"Enfermeira, vc pode tirar esse negócio?"
"Posso, vou tirar p vcs."
Ela tirou com todo cuidado, parecia um adesivo na pele dela, mas não doía...
A Mila estava no meu colo, coloquei minha mão para fazer uma sombra nos olhinhos dela para qdo tirar o óculos e ela abrir os olhinhos não bater a luz forte.
Ela abriu os olhinhos e se aconchegou em meu peito. 
Que felicidade ela estar ali e estar bem!
Sentei e ela mamou um pouquinho... Ela ainda não sugava tão bem e eu estava muito nervosa.

Tempo...
Tempo....
Tempo.....

"Amor, temos que colocá-la novamente na incubadora. Vamos lá fazer a sua consulta e voltamos."
"Tá bom."

Deixei a minha filhinha lá novamente e fui para a emergência. 
A ginecologista de plantão estava fazendo um parto e eu teria que esperar.
Fiquei em pé lá esperando, a emergência estava LOTADA!
Comecei a sentir fome e meu marido foi comprar algo.
Peguei o aparelho e medi a pressão.
16/9
"Ai, meu Deus... Tá subindo."
Meu marido chegou com o lanche e falei sobre a pressão, ficamos preocupados mas não tinha muito jeito, tínhamos que esperar.




sexta-feira, 4 de março de 2016

Entre a dor e o amor.

Continuei a caminhada da vida com uma faca cravada em meu peito. O ferimento não fechará nunca mais.
Às vezes dói muito, outras vezes dói menos. Mas sempre dói. 
Um dia eu acostumo com a dor, talvez.

Saí da maternidade e fui para a casa da minha tia Elaine, minha prima Izabelly gentilmente me emprestou o quarto dela para que eu ficasse com os gêmeos e o meu marido.
Colocamos o berço camping ao lado da cama, babá eletrônica sempre ligada e eu morta de cansada.
Comprei 3 bombinhas, a que mais usei foi a elétrica. Tirava o leite e dava na mamadeira para um enquanto o outro mamava no peito.
Depois dava o complemento para os dois.
Tinha vezes que um bebê esvaziava meus dois peitos e ainda mamava o complemento! 

O João Pedro regurgitava muito, então sempre tinha que ficar vigiando ele...
De 3 em 3 horas dava complemento e o peito era qualquer hora. Eu não conseguia dormir, qdo eu achava que ia tirar um cochilo... Pim! Pim! Pim! Meu celular me avisava que já era a hora do meu outro bebê mamar! Meu Deus!
Eu aprendi tudo sozinha, sabe aquela história de quando nasce um bebê nasce uma mãe? Eu tenho certeza disso!

Minhas noites eram bem exaustivas e eu sentia uma saudade muito grande da minha mãe. 
Eu só tinha o meu marido e a minha tia Elaine que por algumas vezes tentou me confortar e me ajudou muito! Tudo o que eu sentia de diferente eu perguntava p ela, alguma dúvida que eu tivesse eu perguntava p ela.
Passei dias tristes e noites longas de lágrimas.
Meu marido sempre do meu lado me ajudando com as mamadeiras e mamadas no peito em todas as madrugadas.
De manha ele saía p trabalhar exausto.
Eu ficava durante o dia com a minha avó e a minha sogra que ia p lá todos os dias me ajudar.
Era muito trabalho!

Era noite e eu tinha acabado de dar mamar para a Mila e estava em pé com ela no colo...
Ela abriu os olhinhos e eu fiquei ali babando...
Opa! 
Percebi que o branco dos olhos dela estava amarelado... 
"Humnnn isso não é bom."

Peguei o celular e mandei uma mensagem no WhatsApp do pediatra.

"Temos que vê-la e fazer um exame de sangue. Vá na emergência do hospital Icaraí Pq atualmente é a melhor de Niterói."

Liguei para o Douglas na mesma hora.

"Amor, vc pode vir mais cedo hoje? Eu preciso levar a Mila ao médico."
"Posso sim, mas Pq? O que houve?"
"Estou achando a Mila amarela e já falei com o pediatra, temos que levá-la no hospital."
"Já To indo."
"Tá, To pronta já."

Eu realmente já estava pronta, já tinha colocado um vestido e um casaco, cabelo ia do jeito que tava e a cara também. Não tinha tempo de me ajeitar e nem tava afim!
Ele logo chegou e fomos para o hospital Icaraí, eu não gostava daquele hospital mas a parte de pediatria era realmente muito boa e era toda da perinatal.
Levei os dois bebês, faz o exame nos dois para ver, né?!
Chegamos lá e a médica examinou eles e encaminhou para o exame de sangue.
Eu não tinha como segurar meus filhos para fazer esse exame que p mim é um dos piores do mundo! Eu odeio exame de sangue, morro de medo e de dor! 
O Douglas segurou e ficou com eles.
Eu sofria uma morte lenta a cada choro...

O exame ia demorar mais de 1 hora p ficar pronto, então a médica nos liberou para irmos p casa, os gêmeos ainda não tinham tomado nenhuma vacina e ali tinham muitas crianças.
Voltamos p casa e qdo deu a hora de pegar o resultado o Douglas foi lá no hospital.

Estou sentada na poltrona com as pernas em cima do puff, eu ainda estava muito, muito, muito inchada e meus pés doíam demais!
Os gêmeos dormindo...
Douglas entra pela porta da sala e diz:
"Os resultados já estavam prontos. A médica viu e disse que está tudo bem com o João Pedro, que ele só precisa tomar um pouco de sol todos os dias pela manhã."
"Ahhh que bom! Tomara que faça sol amanhã!"
"Mas a Mila vai ter que ficar internada."
"INTERNADA????????"
"É pq a bilirrubina dela tá muito alta e precisa tomar banho de luz lá ..."
"MINHA FILHINHA NÃO! Não, ela não pode ficar longe de mim não!"

Um pânico tomou conta de mim, perder a minha filha também???? JAMAIS! Não aceito isso!!!
O choro que estava guardado veio à tona e não pude segurar mais nada!